Timão enfrenta dificuldades para manter os pagamentos em dia e avalia utilizar dispositivo do estatuto diante da incerteza sobre a venda de jogadores nesta janela
Foto: Rodrigo Coca/Agência CorinthiansPreocupada com a possibilidade de não vender jogadores nesta janela de transferências, a diretoria do Corinthians estuda antecipar até 30% das receitas de 2027 para reforçar o caixa e manter os pagamentos em dia. A medida está prevista no estatuto do clube e é tratada internamente como uma alternativa diante da grave situação financeira.
Atualmente, o Corinthians possui três transfer bans ativos, sendo dois impostos pela Fifa e outro pela CBF. O clube também tem um mês de direitos de imagem em atraso com o elenco, além de pendências relacionadas ao pagamento de férias e premiações. Recentemente, os valores do RCE (Regime Centralizado de Execuções) foram atualizados e, mesmo após o pagamento das cinco primeiras parcelas, a dívida chegou a R$ 237,4 milhões.
Antecipação de receitas
Apesar de ainda restarem três semanas para o encerramento da janela de transferências, o Corinthians não recebeu propostas pelos principais jogadores do elenco. Diante da necessidade de novos recursos, a diretoria passou a estudar formas de antecipar receitas para garantir o fluxo de pagamentos nos próximos meses.
Nos últimos balancetes financeiros publicados, o presidente Osmar Stabile informou que o clube previa arrecadar 25 milhões de euros, cerca de R$ 150,68 milhões na cotação atual, com a venda de jogadores em 2026. O dirigente apontou justamente a ausência dessas receitas como um dos principais motivos para o resultado deficitário registrado nos primeiros quatro meses do ano.
A possibilidade estudada pela diretoria está prevista no artigo 117 do estatuto do Corinthians e, segundo o entendimento interno do clube, permite comprometer até 30% das receitas referentes ao primeiro ano do mandato seguinte. A medida também está em conformidade com a Lei Geral do Esporte e não depende de parecer do Cori (Conselho de Orientação) ou de votação no Conselho Deliberativo.
“A diretoria só poderá antecipar ou comprometer o percentual de até 30% das receitas referentes ao 1º ano do mandato subsequente”, diz o trecho do estatuto.
Na prática, o dispositivo permite que a atual administração comprometa parte das receitas que serão recebidas pela próxima gestão. Como o Corinthians terá eleição para presidente em novembro deste ano, o entendimento é de que Osmar Stabile está respaldado pelo estatuto para utilizar o mecanismo.
Contas pressionadas
Para 2026, o orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo prevê uma receita de R$ 806 milhões sem considerar possíveis vendas de jogadores. A antecipação, porém, seria calculada com base nas receitas orçadas para 2027, valor que ainda não foi apresentado pelo departamento financeiro do clube.
Além da dificuldade para negociar jogadores, a diretoria também enfrenta valores a receber de parceiros comerciais. A combinação entre a ausência de receitas extraordinárias, compromissos financeiros e pagamentos atrasados aumenta a pressão sobre o caixa do Corinthians.
A eventual antecipação de receitas de 2027 seria, portanto, uma alternativa para garantir recursos ainda em 2026. A medida, porém, reduziria a disponibilidade financeira da próxima administração, que assumirá o clube após as eleições previstas para novembro.




