Crise financeira no Guarani: Elio responsabiliza Rômulo Amaro por problemas internos no clube

Ex-técnico critica salários, atrasos nos pagamentos e planejamento do Bugre após eliminação na Série C

Por: Lucas Soares
3 horas atrás em 20 de outubro de 2026
Foto: Divulgação/Guarani

O ex-técnico do Guarani, Elio Sizenando, responsabilizou o presidente Rômulo Amaro pela crise financeira e pelos problemas de planejamento que, na avaliação dele, impediram o clube de conquistar o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. Em entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes de Campinas, na segunda-feira (19), o treinador criticou os salários assumidos pela diretoria, os atrasos nos pagamentos e a falta de respaldo durante sua passagem pelo clube.



Elio afirmou que o Bugre tinha condições de avançar ao quadrangular decisivo da Série C, mas que a falta de organização administrativa comprometeu a campanha. “Eu fiz o meu melhor dentro do Guarani, fizemos grandes jogos, grandes partidas. Eu acho que poderia, sim, ter classificado e, se tivesse melhor organizado, principalmente vindo lá de cima, acho que teria uma chance de subir”, declarou.

Ao avaliar a participação do presidente na crise, o ex-técnico atribuiu a Rômulo Amaro a maior responsabilidade pela situação financeira. Elio questionou a contratação de jogadores com salários elevados para a terceira divisão sem garantias de que os compromissos poderiam ser cumpridos.

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“Para mim, é o maior culpado. Quem é o gestor, quem deixou fazer, trazer jogadores com todo respeito”, afirmou. O treinador defendeu que os gastos fossem compatíveis com as receitas do clube e resumiu sua avaliação: “Se você tem uma casa, você sabe que vai estourar”.

Segundo Elio, os atrasos nos pagamentos ganharam força após a vitória sobre o Caxias, quando o Guarani ainda brigava pela classificação. Ele relatou que os jogadores passaram a cobrar os vencimentos, mas as promessas de regularização não se concretizavam.

“Já começou a exaltação dentro do grupo de atletas ali: vai pagar, não vai pagar, promete, não promete. E nunca a situação era resolvida”, contou.

O treinador afirmou que tentou resolver o impasse ao lado do executivo de futebol Carlos Frontini, quando os atletas ameaçaram interromper as atividades. Para ele, faltou a presença de um representante da direção para assumir a responsabilidade diante do elenco.

“Não teve ninguém ali para chegar também, ninguém chegar e peitar, falar: não. Não tinha ninguém no clube naquele dia”, relatou.Elio também saiu em defesa dos jogadores e afirmou que, apesar da insatisfação com os atrasos, eles continuaram treinando e cumprindo as atividades.

O ex-técnico ainda criticou a forma como foi demitido antes da última rodada da primeira fase da Série C. Segundo ele, Rômulo não esclareceu quando os pagamentos seriam realizados após o desligamento.

“Quando eu fui demitido, no domingo, no período da tarde ali, agradeci, falei para o Rômulo que um dos maiores culpados era ele e segui minha vida”, relatou. “Ele demitiu e não falou quando ia me pagar, não falou como seria. É uma falta de respeito que achei muito grande”, acrescentou.

Após deixar o Guarani, Elio acertou com o Capivariano para comandar a equipe no Campeonato Paulista de 2027. O Bugre terminou a primeira fase da Série C com 28 pontos, na décima colocação, e não avançou ao quadrangular decisivo.

O clube agora trabalha na montagem do elenco para 2027 em meio aos problemas financeiros e à negociação envolvendo a futura Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A proposta de Roberto Graziano para adquirir 90% da empresa será votada pelos associados em 19 de novembro.