Pedido de renúncia isola Casares e agrava tensão
Foto: Reproduçao / SPFC TVO São Paulo vive um cenário de instabilidade que ultrapassa os limites do campo. Após a goleada por 6 a 0 para o Fluminense, um grupo de 41 conselheiros protocolou um pedido de renúncia contra o presidente Júlio Casares, transformando a crise esportiva em um confronto político direto. A coletiva convocada às pressas evidenciou um dirigente pressionado, tentando justificar a temporada sem assumir protagonismo nos erros, enquanto a base que sustentava sua gestão se desfaz rapidamente. A percepção interna é de que a coalizão que o levou ao poder se fragmentou, acelerando o desgaste institucional.
O pedido de renúncia ganhou força imediata no Conselho e se tornou símbolo do racha que atinge o clube. O número de assinaturas é considerado alto para a estrutura deliberativa do São Paulo e deve aumentar com a saída recente de parte da diretoria do futebol. O movimento expõe uma ruptura profunda, mostra que Casares perdeu sustentação interna e coloca o clube em clima permanente de vigilância. Nos bastidores, há receio de que qualquer nova derrota, decisão impopular ou falha administrativa abra espaço para tentativas formais de afastamento. O ambiente político, antes controlado, tornou-se imprevisível.
Na coletiva, Casares insistiu na tese de “erro coletivo”, dividindo responsabilidades entre diferentes setores, mas evitando assumir diretamente o comando das decisões mais contestadas da temporada. A explicação para sua ausência em jogos — supostamente por buscar investimentos para 2026 — foi recebida com desconfiança, já que tentativas anteriores não produziram resultado concreto. A promessa de um superávit robusto também é vista com cautela, especialmente porque depende de vendas de atletas e não de crescimento estrutural. A avaliação interna é de que o presidente tenta ganhar tempo enquanto enfrenta resistência crescente do Conselho e descontentamento do elenco.
O São Paulo entra em 2026 sob incertezas: Casares terá condições de conduzir o clube até o fim do mandato? O ambiente político permitirá estabilidade? E o futebol, pressionado por má fase e desgaste interno, conseguirá reagir? A única certeza é que a margem de erro se esgotou — e qualquer tropeço pode redefinir o futuro imediato do clube.