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Decisões e desgaste interno levaram à demissão de Hernán Crespo

Escolhas em jogos decisivos e insatisfação da diretoria pesaram na saída do técnico do São Paulo

Por: Neila Gonçalves
2 horas atrás em 10 de março de 2026
Foto: Rubens Chiri/São Paulo

A saída de Hernán Crespo do comando do São Paulo, anunciada na última segunda-feira, 9 de março, foi resultado de um desgaste que vinha se acumulando nos bastidores do clube. Embora a notícia tenha surpreendido parte da torcida, a diretoria tricolor já demonstrava insatisfação com o trabalho do treinador em diferentes momentos da temporada.

Entre os fatores que contribuíram para a decisão estão escolhas táticas consideradas equivocadas em partidas decisivas. Um dos episódios que marcou o início do descontentamento ocorreu na eliminação do São Paulo para o Athletico nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2025.

Na ocasião, mesmo após vencer o jogo de ida por 2 a 1 no Morumbis, Crespo optou por deixar fora da equipe titular dois jogadores importantes naquele momento: o volante Marcos Antônio e o atacante André Silva. O Tricolor atuou sem um centroavante de origem, apostando apenas em Luciano e Ferreira no setor ofensivo.

Depois da derrota por 1 a 0 no tempo regulamentar, a decisão foi para os pênaltis. O São Paulo acabou eliminado após erros nas três primeiras cobranças, executadas por jogadores que não eram titulares: Sabino, Tapia e o goleiro Jandrei.

Outro episódio que gerou questionamentos ocorreu na semifinal do Campeonato Paulista desta temporada, contra o Palmeiras. Crespo decidiu iniciar o clássico com Luan no meio-campo, deixando Danielzinho — um dos destaques da equipe em 2026 — no banco de reservas.

Após a derrota e consequente eliminação, o treinador explicou a escolha em entrevista coletiva.

— Escolha foi pelo Luan em cima das características do rival, que joga na bola longa e precisávamos de um jogador fisicamente como o Luan. Pessoalmente, acho que deu certo. Eles tiveram dificuldades. Mas depois o jogo muda. Tivemos que arriscar com Danielzinho porque o jogo precisava de outra coisa.

Apesar da justificativa, a decisão não foi bem recebida internamente e reforçou as críticas ao trabalho do treinador.

Além das questões táticas, declarações públicas de Crespo também incomodaram a diretoria. Em janeiro, após derrota por 3 a 1 para o Palmeiras ainda pelo Paulistão, o treinador afirmou que o principal objetivo do São Paulo no Campeonato Brasileiro seria atingir 45 pontos, número geralmente associado à luta contra o rebaixamento.

— Estamos preocupados, mas temos três rodadas, com Santos, Primavera e Ponte Preta, pode acontecer de tudo (no Paulistão) (…) Temos futuro. Mas o futuro, como eu falei, o Brasileirão, 45 pontos. Esse é o futuro.

A fala foi interpretada internamente como pessimista e incompatível com o nível de ambição esperado para o clube.

Também havia questionamentos sobre o dia a dia de treinamentos no CT da Barra Funda. Nos bastidores, parte da diretoria avaliava que o rendimento da equipe não correspondia ao trabalho desenvolvido.

A soma desses fatores levou o São Paulo a encerrar o vínculo com o treinador. Pessoas próximas a Crespo afirmam que ele foi surpreendido pela decisão, especialmente por considerar positivo o início da equipe no Campeonato Brasileiro.

A segunda passagem do técnico argentino pelo clube começou em julho de 2025, em um momento delicado da temporada. Desde então, ele comandou o São Paulo em 46 partidas, com 21 vitórias, sete empates e 18 derrotas.

Crespo também tem no currículo o título do Campeonato Paulista de 2021. Somando as duas passagens pelo clube, foram 99 jogos à frente do Tricolor, com 45 vitórias, 26 empates e 28 derrotas.