Treinador é respaldado pelo departamento de futebol, mas cobranças das arquibancadas e relação com elenco acendem alerta nos bastidores
Foto: Divulgação/Guarani Elio Sizenando completou cinco meses no comando do Guarani em meio ao momento de maior pressão desde que assumiu a equipe. Apesar de ainda contar com o respaldo do departamento de futebol, o desempenho recente e sinais de desgaste com parte do elenco aumentaram a preocupação interna antes da reta decisiva da Série C. Desde março, o treinador soma sete vitórias, seis empates e quatro derrotas, com 52% de aproveitamento.
O cenário mudou principalmente nas últimas sete rodadas. O Guarani venceu apenas uma partida, empatou três e perdeu outras três, deixando escapar pontos importantes e a gordura construída dentro do G-8.
Mesmo com a cobrança, a diretoria de futebol não trabalha, neste momento, com a troca do treinador. A avaliação interna é de que Elio ainda tem condições de conduzir a equipe na reta final da primeira fase e buscar a classificação ao quadrangular. O principal alerta, porém, está no ambiente do vestiário. O clube identificou sinais de desgaste entre o treinador e parte dos jogadores, principalmente em relação à condução do dia a dia e à distribuição de oportunidades.
Um dos casos mais recentes envolve Diego Torres. O meia argentino, de 35 anos, não atua há três meses e recebeu férias do clube após não chegar a um acordo para uma rescisão amigável. Outros jogadores também perderam espaço desde a chegada de Elio, como Rafael Donato, Edson, Nathan Melo, Rian, Yan Henrique e Maranhão. O atacante, que era titular absoluto no início do trabalho, não saiu do banco nas últimas três partidas e está há mais de um mês sem atuar.
A falta de oportunidades para atletas formados nas categorias de base também gerou questionamentos internos. Rafael Freitas e Kewen são exemplos citados no clube. Kewen, inclusive, recebeu uma proposta para atuar na Europa e, apesar do desejo de permanecer, optou pela saída diante do pouco espaço. Paralelamente, o Guarani enfrenta pendências financeiras com o elenco e busca avançar no processo de SAF para obter novos recursos, aumentando a necessidade de controlar o ambiente interno.
Com 27 pontos, o Guarani ocupa a quarta posição e está três pontos à frente do Amazonas, primeiro time fora do G-8. O Bugre precisa de uma vitória nas duas últimas rodadas para encaminhar a classificação. O próximo compromisso será contra o Botafogo-PB, no sábado, fora de casa, antes de receber o Brusque no Brinco de Ouro. A reta final será decisiva não apenas para a classificação, mas também para medir a capacidade de Elio recuperar o rendimento e administrar o ambiente cada vez mais pressionado.