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Ética dá parecer favorável à abertura de impeachment contra Stabile

Presidente do Corinthians terá dez dias para apresentar defesa antes de caso ser encaminhado ao Conselho Deliberativo

Por: Jhonatan Moraes
2 horas atrás em 2 de junho de 2026
Foto: Raphael Martinez/Agência Corinthians

A Comissão de Ética do Corinthians emitiu parecer favorável à abertura do processo de impeachment contra o presidente Osmar Stabile. Com a decisão, o dirigente terá prazo de dez dias para apresentar sua defesa antes que o caso seja encaminhado ao Conselho Deliberativo.

O pedido de impeachment foi protocolado em abril por um grupo de conselheiros e sócios do clube. O principal argumento apresentado pelos autores da solicitação é uma suposta oneração irregular do Parque São Jorge.

Em janeiro de 2026, o Corinthians firmou um acordo de transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a PGFN, para regularizar uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão. Como garantia do pagamento, a diretoria ofereceu o conjunto de imóveis que compõem a sede social do clube, avaliado em R$ 602,2 milhões.

Os signatários do pedido alegam que a medida contrariou o Artigo 3º do Estatuto Social do Corinthians, que prevê a aprovação de pelo menos dois terços dos conselheiros em reunião convocada especificamente para esse fim. Segundo o documento, esse procedimento não teria sido realizado.

Além da questão envolvendo o patrimônio do clube, o pedido também aponta suposta falta de transparência e descumprimento de deveres de gestão por parte da atual diretoria.

Entre os temas citados estão a ausência de respostas a requerimentos formais relacionados à manutenção da Neo Química Arena, à troca da administradora do fundo do estádio e à política de distribuição de ingressos.

O documento também menciona declarações feitas pelo próprio presidente sobre a existência de “funcionários fantasmas” na folha de pagamento do Corinthians. Para os autores do pedido, a situação pode indicar problemas na gestão de recursos do clube.

Outro ponto destacado é o atraso na divulgação do balanço financeiro referente ao exercício de 2025. De acordo com os conselheiros, o documento deveria ter sido publicado até o fim de março de 2026, conforme previsão da Lei das S.A. e do Estatuto Social. A ausência da prestação de contas, segundo o grupo, dificulta a fiscalização por parte dos órgãos internos e dos associados.

O caso ocorre em meio a uma sequência de turbulências políticas no Parque São Jorge. Recentemente, os ex-presidentes Andrés Sanchez e Augusto Melo foram expulsos do quadro associativo do Corinthians, enquanto Duilio Monteiro Alves renunciou ao título de sócio remido e deixou seus cargos internos no clube.