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Gastos de Casares com cartão do São Paulo ultrapassam R$ 1 milhão e incluem despesas pessoais

Ex-presidente devolveu R$ 560 mil ao clube, é alvo de investigações e pode ser expulso do quadro associativo por suposta gestão temerária

Por: Neila Gonçalves
3 horas atrás em 23 de julho de 2026
Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC

Julio Casares utilizou mais de R$ 1 milhão em despesas com o cartão corporativo do São Paulo durante o período em que presidiu o clube, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. As informações constam em faturas obtidas pelo ge e colocam o ex-dirigente no centro de novas discussões sobre sua gestão à frente do Tricolor.

De acordo com os documentos, Casares restituiu ao clube R$ 560.401,74 em novembro de 2025, valor referente a despesas consideradas de caráter pessoal. A devolução ocorreu poucos meses antes de ele deixar a presidência e atualmente é um dos elementos que embasam um pedido de expulsão do quadro associativo por suposta gestão temerária ou irregular.

As faturas mostram despesas em restaurantes, casas de charuto, lojas de grife, viagens internacionais, estabelecimentos de cuidados pessoais e consultas médicas. Ao mesmo tempo, parte dos gastos foi considerada institucional, incluindo hospedagens da delegação, reuniões de trabalho e compromissos ligados às atividades do clube, razão pela qual o valor devolvido não corresponde ao total movimentado no cartão corporativo.

Os registros também apontam um crescimento expressivo nas despesas ao longo do mandato. Em 2021, primeiro ano da gestão, os gastos ficaram próximos de R$ 20 mil. Já em 2024, as despesas somaram R$ 428.568,52, enquanto entre janeiro e novembro de 2025 chegaram a R$ 342.352,43.

Entre os gastos que chamaram atenção estão compras realizadas durante a pré-temporada do São Paulo nos Estados Unidos, em janeiro de 2025. No período, foram desembolsados R$ 51.013,33 com o cartão corporativo, incluindo uma compra superior a R$ 26 mil em uma loja da Prada, além de despesas em restaurantes e farmácias.

Outra viagem que aparece nas faturas ocorreu durante a Copa América de 2024, quando Casares foi escolhido pela CBF para chefiar a delegação da Seleção Brasileira. Embora estivesse a serviço da entidade, o então presidente utilizou o cartão do São Paulo para despesas que totalizaram R$ 79.940,36, incluindo gastos em restaurantes, lojas de roupas, perfumarias e grifes internacionais.

As faturas ainda registram pagamentos em consultas médicas, serviços de salão de beleza e dezenas de despesas em restaurantes e estabelecimentos frequentados pelo ex-dirigente ao longo do mandato. Entre eles estão o Gero, onde foram registradas 53 cobranças entre 2021 e 2025, e o Esch Café, casa de charutos que recebeu 71 pagamentos com o cartão corporativo no mesmo período.

Segundo o clube, até o fim de 2025 não existia uma política específica para utilização do cartão corporativo. Após a devolução dos valores por parte de Casares, a nova administração implantou regras que determinam o uso exclusivamente institucional do cartão, proibindo expressamente despesas de natureza pessoal, mesmo com possibilidade de ressarcimento posterior.

Em nota, o São Paulo informou que todas as faturas das gestões anteriores seguem em análise e afirmou que buscará o ressarcimento de qualquer despesa que seja comprovadamente pessoal. Já a defesa de Julio Casares sustenta que os gastos estavam relacionados ao exercício da presidência e afirma que os valores restituídos correspondem apenas a despesas passíveis de diferentes interpretações. Os advogados também destacam que não havia normas específicas para utilização do cartão durante seu mandato.

Além do procedimento interno que pode resultar em sua expulsão do quadro associativo, Julio Casares também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público em outros inquéritos relacionados à sua gestão. Segundo o clube, essas investigações não possuem relação direta com as despesas registradas nas faturas do cartão corporativo.