Soutto deu entrevista no lugar do técnico Cláudio Tencati
Fillipe Soutto, gerente de futebol do Botafogo-SP — Foto: João Victor Cristovão / Agência Botafogo Na noite da última quinta-feira (3), o Botafogo-SP foi derrotado pelo placar de 1 a 0 para o Náutico, no estádio dos Aflitos, pela 26ª rodada da Série B.
Com o revés para o clube pernambucano, o Pantera chegou ao quarto jogo seguido sem vencer na Série B, sendo a terceira derrota consecutiva. O Tricolor já havia sido derrotado pelo elo Cuiabá (2 a 1, em Ribeirão Preto) e pelo Atlético-GO (3 a 0, em Goiânia).
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (7), o gerente de futebol do Botafogo-SP, Fillipe Soutto explicou que a mudança de mentalidade no clube pode interferir nos momentos de oscilação ao longo do torneio. Soutto citou que um dos motivos pode ser uma “natural acomodação” com os bons resultados.


“Não consigo te responder essa pergunta com tanta precisão. Talvez, por não ser uma realidade do clube há algum tempo, haja uma natural acomodação quando se consegue resultados muito bons. Não sei. E não acho que isso é algo consciente, que parta dos jogadores. É a própria atmosfera da imprensa, da torcida, de: “nesse ano, enfim, não vamos sofrer”. Talvez seja algo relacionado a isso, mas não muda nada no trabalho, no nosso dia a dia. É algo que talvez explique, mas não é algo feito de má fé”.
‘É natural, por ganharmos um jogo difícil, pesado, ou estar em uma sequência de jogos como vivemos nas vitórias contra América-MG e São Bernardo. Fizemos um grande jogo contra o Criciúma e aí, contra o Atlético-GO, talvez tenha abaixado um pouco essa questão da mobilização pela dificuldade do jogo, e fizemos um jogo realmente muito ruim, estou aqui assumindo, mas não foi algo consciente, de que “agora estamos tranquilo”. Muito pelo contrário, todo mundo quer chegar cada vez mais à frente’.
Ainda de acordo com o gerente, o trabalho com o técnico Cláudio Tencati e o novo departamento de futebol tem sido pensado em longo prazo para que haja uma mudança na mentalidade interna do clube, evitando novas oscilações negativas.
“Também faz parte de um processo de mudança de mentalidade dentro do clube e isso tem acontecido, de entender que a oscilação faz parte de qualquer equipe e que a nossa missão aqui é diminuir os períodos em que essa oscilação vem para baixo e aumentar os períodos que se está em cima. Tudo isso demanda tempo, mudanças de atitude no dia a dia. Já temos tomado essas decisões e vamos colher frutos lá na frente. Mas demanda tempo e precisamos continuar confiando porque é um trabalho bem feito”.
Soutto foi escalado para coletiva de imprensa nesta segunda-feira no lugar de Cláudio Tencati, que falaria com os jornalistas antes do jogo desta quarta-feira, contra o Novorizontino, já que não deu entrevista após a derrota para o Náutico, conforme anunciado pela assessoria do clube. No entanto, o gerente de futebol evitou colocar o técnico e o elenco em exposição em meio à má fase do Botafogo-SP.
“Quero esclarecer publicamente o que aconteceu após a partida. Não houve a coletiva por três motivos. O primeiro porque não tinha profissionais para fazer a pergunta e acaba atrapalhando o processo para responder as perguntas de cabeça quente, sem o diálogo. O segundo é a estrutura, que não forneceram o espaço para gente, foi um vestiário apenas. E a terceira foi a questão de logística, por estarmos em cima da hora para voltar”.
“Não vou expor jogador, nem treinador. Inclusive estou dando essa entrevista como porta-voz e assumir a responsabilidade que é dividida no vestiário. Não é o momento de jogador falar, porque seria massacrado. Aqui eu sou o responsável, mas lá dentro todos nós sabemos da parcela de contribuição e isso vale em todos os momentos”.
Ainda segundo o gerente de futebol, o desempenho do Botafogo-SP não condiz com a posição e pontuação do clube na tabela. Com a derrota em Recife, o Pantera permaneceu com 31 pontos e na 15ª colocação, mas viu a margem para a zona de rebaixamento diminuir para apenas dois pontos.
“A direção do Botafogo vê assim como vocês. Em termo de resultado, poderia ser muito melhor do que está sendo. Temos jogado bem a maioria dos jogos. A meu ver, em apenas três jogos o adversário foi melhor: Londrina, Atlético-GO e Vila Nova. Três jogos fora de casa. Do mais, são jogos com a cara da Série B. Com o G-6, o campeonato fica mais aberto, mais disputado e muitas equipes vão chegar vivas. Sabemos que, pelo planejamento, poderíamos estar melhor na tabela, mas o trabalho está sendo feito de forma criteriosa. O resultado não é o esperado, mas a performance está melhor que os outros anos. As coisas não acontecem da noite para o dia, como jogar bem e ganhar sempre. Se fosse assim, estaríamos mais acima da tabela. É uma posição que hoje nos incomoda, mas estamos trabalhando para melhorar”.
Fillipe Soutto também saiu em defesa dos jogadores e do técnico Cláudio Tencati, que renovou contrato até o fim de 2027 no momento do jejum de dez jogos no primeiro turno.
“Desde o início foi apresentado o trabalho do Tencati como longo prazo. Não apegamos apenas nos números, porque naqueles dez jogos ele já teria saído. Renovamos porque acreditamos no trabalho dele. Mas futebol não é ciência exata. Os números nos deixam preocupados, mas não podemos ver só os números. Temos que avaliar a performance. Nada garante que se não fosse o Tencati estaríamos melhor. Muitas vezes a mudança de comando piora. Estamos avaliando o trabalho dele e da comissão todos os dias. Eu posso garantir que é um trabalho de muita qualidade. É um ser humano diferente. Não descarta ninguém, não expõe ninguém. Todos nós somos responsáveis pela vitória, mas também pelas derrotas e ele faz isso muito bem”.
“Avaliar o trabalho do treinador é muito mais abrangente e complexo do que os números, por quem assiste ou até nem assiste, mas vê apenas os resultados. O Tencati tem a nossa confiança, já deu mostras que é um grande treinador na carreira, e aqui também, porque vejo nossa performance boa, melhorando. É impossível jogar os 38 jogos bem e atropelar os adversários. Eu sei que ele se incomoda quando não ganha, porque ele faz um trabalho de excelência no dia a dia. Sei que vai melhorar, é um processo, e lá na frente vamos voltar a analisar o trabalho dele como trabalho chancelado no início de longo prazo. Já vejo resultado agora e vamos ver lá na frente”.
“Ninguém joga para não ganhar. Se for observado isso, vai gerar mudanças drásticas no elenco Não foi observado isso. Não é falta de propor, de buscar a vitória. O resultado muitas vezes não condiz com o que foi o jogo e por isso continuamos acreditando nos jogadores que estão aqui. Alguns viraram vitórias, outros não. É um período incômodo, desagradável, buscamos respostas e soluções. Temos que entender que faz parte do campeonato. Liga-se, sim, o sinal de alerta. Estamos mais próximos do Z-4 do que pelo bloco da frente. Mas temos que mostrar confiança no trabalho, no dia a dia, no ambiente. Se não fosse bom, pode ter certeza que já teríamos tomado outras decisões no comando. Ninguém está satisfeito. Todo mundo sabe que pode fazer mais e buscar mais, e é isso que vamos seguir”.
Buscando interromper a sequência negativa, o Botafogo-SP recebe o Novorizontino, na próxima quarta-feira (9), às 19h30, na Arena Nicnet, pela 27ª rodada da competição.