Gustavo Guerra explica como Comercial evitou leilão do Palma Travassos

Presidente do Conselho Deliberativo revelou que clube levantou recursos para impedir avanço do processo envolvendo o Palma Travassos e ainda busca quitar cerca de R$ 200 mil

Por: Neila Gonçalves
12 horas atrás em 18 de agosto de 2026
Foto: Divulgação/Comercial

O Comercial conseguiu ganhar tempo na tentativa de preservar o estádio Palma Travassos. Presidente do Conselho Deliberativo do clube, Gustavo Guerra explicou que pagamentos realizados recentemente impediram, ao menos neste momento, o avanço do processo de leilão do imóvel.

Segundo o dirigente, em matéria publicada no gE, o risco de perda do estádio era concreto. Para evitar que a situação avançasse, o clube mobilizou recursos e contou também com o apoio da Corrente Alvinegra, grupo formado por torcedores que auxilia o Leão do Norte, inclusive financeiramente.

– Estamos num processo de leilão do estádio, a gente correu sério risco, não era brincadeira, não era blefe, nós poderíamos ter perdido o estádio a qualquer momento. Nós levantamos os valores para evitar esse leilão. A gente fez o pagamento de algumas taxas que precisávamos para evitar esse leilão. Falta só um boleto para quitar e aí teremos um fôlego para trabalhar com paz. Isso atrapalha, reflete até no campo. Estamos trabalhando junto com a Corrente, que teve uma participação especial nesse pagamento dessa dívida.

O Palma Travassos teve o primeiro registro de lance no leilão em 2 de julho. O valor mínimo registrado foi de R$ 27.387.005,00, enquanto o estádio está avaliado em R$ 54,7 milhões. Até o momento, não foi divulgada a identidade do interessado.

Apesar dos pagamentos realizados, Gustavo Guerra ressaltou que a situação ainda não está definitivamente resolvida. O Comercial precisa quitar aproximadamente R$ 200 mil para encerrar os processos que deram origem ao atual leilão.

– A última parcela nós temos mais uns dias para efetuar o pagamento, faltam cerca de R$ 200 mil. A gente não vai ficar livre do leilão, porém, vamos ficar livres dos processos que geraram esse leilão. São processos do fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990. O clube tem outras dívidas. Conseguindo estancar a dívida desse momento, vamos pensar numa estratégia para poder tentar parcelar o restante de uma vez, e aí, sim, poder estancar todas as dívidas – explicou o presidente do conselho.

O dirigente deixou claro, portanto, que a quitação dos valores atuais não elimina todos os riscos sobre o patrimônio. Outros débitos acumulados pelo Comercial ainda podem provocar novas tentativas de levar o Palma Travassos a leilão.

Uma auditoria apresentada em abril apontou que o passivo do clube gira em torno de R$ 42 milhões. O levantamento reúne compromissos financeiros acumulados desde a década de 1980 até julho de 2025, incluindo débitos tributários, previdenciários, de FGTS e processos trabalhistas e cíveis.

O estádio já foi colocado em leilão em outras oportunidades justamente em razão desse histórico financeiro. Outro elemento que interfere no processo é o tombamento do Palma Travassos. Desde 2017, o estádio é reconhecido por lei municipal como patrimônio cultural, histórico e arquitetônico de Ribeirão Preto.

A condição estabelece restrições sobre possíveis intervenções no imóvel e também tem dificultado o interesse de compradores em tentativas anteriores de negociação.

Com o pagamento mais urgente próximo de ser concluído, o Comercial busca agora ganhar espaço para organizar os demais débitos e construir uma solução de longo prazo para evitar que o Palma Travassos volte a correr risco.