Ex-volante coordena os trabalhos ofensivos do Bugre, relembra trajetória vitoriosa como jogador e mira o retorno do clube à Série B
Foto: Divulgação/EPTVDepois de mais de duas décadas dentro das quatro linhas, Henrique encontrou uma nova forma de viver o futebol. Aos 39 anos, o ex-volante, multicampeão pelo Cruzeiro, integra a comissão técnica do Guarani como auxiliar de Elio Sizenando e tem papel importante na preparação ofensiva da equipe que disputa a Série C do Campeonato Brasileiro.
A transição para a nova função aconteceu há pouco mais de três anos, quando decidiu encerrar a carreira. A vontade de seguir no futebol, porém, surgiu ainda nos tempos de jogador, especialmente durante sua longa passagem pelo Cruzeiro, onde começou a observar de perto o trabalho dos treinadores.
“Eu tenho muita gratidão pela minha carreira. Eu olho para trás e vejo o quanto eu venci na vida. Não falo nem em questão de títulos. Mas como pessoa. De onde eu saí, do interior do Paraná, um menino sonhador. Vejo uma história com muita gratidão.”
No Guarani, a divisão de funções dentro da comissão técnica é bem definida. Enquanto Elio Sizenando concentra sua atenção no sistema defensivo, Henrique é responsável pelos treinamentos ofensivos e pelas jogadas de bola parada. O trabalho desenvolvido pelo ex-volante foi elogiado publicamente pelo treinador após a goleada por 5 a 0 sobre o Amazonas.
“Enaltecer o trabalho do Henrique, que faz a parte ofensiva e de bola parada. Eu fico mais com a parte defensiva e ele está cuidando da parte ofensiva.”
Henrique explicou como funciona o processo de preparação durante a semana e destacou que todas as atividades seguem as diretrizes do comandante bugrino.
“Ele passa as tarefas para nós, para a gente montar os trabalhos. Ele fala dos objetivos de acordo com o adversário, do que quer construir. Aí eu elaboro, crio algumas coisas. Claro que a última palavra sempre é a dele.”
Antes de iniciar a carreira como auxiliar, Henrique construiu uma trajetória de destaque como jogador. O principal capítulo foi escrito no Cruzeiro, clube que defendeu por 11 temporadas e onde conquistou dez títulos, entre eles dois Campeonatos Brasileiros, duas Copas do Brasil e diversos estaduais.
Apesar das conquistas, uma lembrança permanece marcante. Na final da Libertadores de 2009, contra o Estudiantes, foi dele o gol que abriu o placar no Mineirão, em uma decisão que terminou com a virada da equipe argentina.
“A gente era muito novo. Marcar um gol numa final, com o Mineirão lotado… você cria uma expectativa enorme. Acho que foi a primeira vez que realmente me decepcionei com uma derrota. Estava tão perto da gente. Foi uma derrota que me ensinou muito.”
Henrique também realizou outro sonho ao vestir a camisa do Santos, clube pelo qual torcia na infância por influência da família. Em 2012, conquistou o Campeonato Paulista atuando ao lado de jogadores como Neymar, Paulo Henrique Ganso e Elano.
“Quando eu era criança, eu torcia para o Santos. Meu pai era santista, meus tios eram santistas. Realizei meu sonho e o sonho do meu pai.”
Agora, a missão é diferente. Longe dos gramados, mas ainda vivendo intensamente o futebol, Henrique tem um objetivo claro: ajudar o Guarani a retornar à Série B do Campeonato Brasileiro.
“Eu tento controlar a ansiedade. Mas o desejo é muito grande. Conquistar esse primeiro objetivo na carreira vai ser muito valioso para mim e para o clube.”
Se como volante construiu uma carreira marcada por títulos e identificação com grandes clubes, Henrique espera que a nova trajetória à beira do campo também seja escrita com conquistas — começando pelo sonho do acesso do Bugre.




