Donos admitem saída ao fim da temporada e buscam parceiros para garantir o futuro do clube no futebol profissional
Foto: Divulgação/Facebook oficialO futuro do Votuporanguense no futebol profissional está cercado de incertezas. Após bater na trave na luta pelo acesso à elite do Campeonato Paulista, os responsáveis pela SAF do clube admitiram que podem encerrar a participação no projeto ao final da temporada caso não encontrem novos investidores ou interessados em assumir a operação.
A situação foi confirmada por Helton Borges, um dos proprietários da SAF, que revelou que o clube está aberto tanto à entrada de novos parceiros quanto à possibilidade de uma venda.
– A nossa intenção é que venham mais investidores para somar ao projeto ou até mesmo alguém interessado em adquirir o clube e dar continuidade ao trabalho. O futebol ficou muito caro para manter um time, e decidimos que, caso isso não aconteça, permaneceremos até o término deste ano.
Segundo o dirigente, a manutenção do futebol profissional tem pesado cada vez mais sobre um número reduzido de investidores.
– Há 12 anos investimos no clube e, nos últimos três anos, restamos apenas eu e Roberto como investidores. Isso acaba gerando um peso financeiro considerável. Temos patrocinadores que, independentemente do valor investido, nos ajudam bastante, e somos muito gratos por esse apoio.
Apesar do cenário preocupante, a diretoria ainda acredita que o projeto possa ganhar novos apoiadores nos próximos meses. A expectativa é que empresários da região se aproximem do clube para ajudar na continuidade da SAF.
– Vejo que há uma movimentação na cidade para que mais pessoas possam se juntar ao projeto. Ainda temos tempo para que algo aconteça e possa reverter essa decisão. Torço para que o time continue, porque a cidade merece e apoia o clube integralmente. Estamos abertos também a conversar sobre uma eventual venda.
Helton também destacou que a realidade financeira poderia ser diferente caso o acesso à Série A1 tivesse sido conquistado nesta temporada.
– Se o CAV estivesse em uma divisão especial do Campeonato Paulista, nossa postura seria diferente. Nessa situação, a Federação Paulista de Futebol entra com um apoio mais forte, a visibilidade perante os patrocinadores aumenta e, certamente, alcançaríamos um ponto de equilíbrio financeiro.
O presidente do Votuporanguense, Edilberto Fiorentino, o Caskinha, reforçou a preocupação com a sustentabilidade do projeto e destacou que o momento exige reflexão de toda a cidade.
– Estou alinhado com os proprietários do clube, Helton e Roberto. Todos nós temos uma grande paixão pelo CAV e por Votuporanga, mas a realidade é que o futebol profissional se tornou muito caro. Hoje, o peso financeiro está concentrado em poucos investidores, e chega um momento em que é preciso analisar a situação com racionalidade.
O mandatário também fez um apelo para que diferentes setores da sociedade participem da discussão sobre o futuro do clube.
– Agora é um momento de reflexão para toda a comunidade. Poder público, empresários e sociedade precisam decidir qual futuro desejam para o futebol de Votuporanga. O valor do CAV não cabe apenas em uma planilha; ele está na identidade e na história da cidade.
A discussão acontece poucas semanas após a eliminação para o Juventus nas semifinais da Série A2 do Campeonato Paulista. O empate sem gols no confronto decisivo impediu o acesso à elite estadual e acabou impactando diretamente o planejamento financeiro do clube.
Apesar das incertezas, o Votuporanguense já tem vaga garantida na Série A2 de 2027. No entanto, a participação dependerá da chegada de novos investidores ou da concretização de uma venda da SAF que assegure a continuidade do projeto esportivo.




