Depoimentos obtidos pela investigação apontam retiradas mensais de cerca de R$ 100 mil em espécie durante a gestão do ex-presidente do São Paulo
Foto: Divulgação/ X São PauloNovos depoimentos colhidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público trouxeram detalhes sobre a investigação que apura possíveis irregularidades financeiras na gestão de Julio Casares à frente do São Paulo. Segundo duas testemunhas ouvidas pela força-tarefa responsável pelo caso, o então presidente retirava mensalmente valores em dinheiro vivo do clube, normalmente entre R$ 100 mil e R$ 120 mil, acondicionados em envelopes e, posteriormente, colocados em sacolas.
As testemunhas, que trabalharam diretamente com Casares entre 2021 e 2026, afirmaram que os recursos eram solicitados ao departamento financeiro sob a justificativa de “ações promocionais”. Posteriormente, segundo os relatos, a prestação de contas era feita com documentos indicando a aquisição de ingressos, embora, de acordo com a investigação, não existam registros detalhando quais entradas foram compradas ou a destinação delas.
Os depoimentos também indicam que os valores eram retirados do cofre do Morumbis após solicitação da presidência. Uma das testemunhas afirmou que esse procedimento se tornou rotina durante a gestão de Casares e que nunca havia participado de operações semelhantes em administrações anteriores. Segundo os relatos, em algumas ocasiões os recibos chegaram a ser assinados pelo próprio ex-presidente ou por integrantes de sua equipe.
A investigação apura 35 saques realizados entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, que somam cerca de R$ 11 milhões. Além disso, também são analisados depósitos em dinheiro no valor aproximado de R$ 1,5 milhão em contas vinculadas ao ex-presidente. Em março deste ano, o Conselho Deliberativo do São Paulo reprovou as contas de 2025, apontando falta de comprovação para parte dos valores retirados das contas do clube.
As apurações fazem parte de três inquéritos conduzidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, que investigam possíveis crimes relacionados à gestão anterior, incluindo suspeitas de lavagem de capitais, exploração irregular de um camarote no Morumbis e possíveis irregularidades envolvendo o clube social.
Em nota, Julio Casares negou qualquer irregularidade. A defesa afirma que todas as movimentações financeiras possuem origem lícita e que os recursos classificados como “ações promocionais” estavam regularmente contabilizados pelo clube para despesas relacionadas aos jogos do São Paulo. Os advogados também criticaram o vazamento de informações que tramitam sob sigilo judicial e disseram confiar na conclusão das investigações pelas autoridades competentes.




