Leão está há dois anos sem utilizar jogadores formados no clube e viu sub-20 ser rebaixado no Campeonato Paulista
Foto: Arcílio Neto Nos últimos anos, o Mirassol tem conquistado avanços e ocupado espaços que nunca antes na sua história havia vivenciado. No entanto, o sonho que tem virado realidade no time profissional é o oposto do que tem ocorrido nas categorias de base do clube.
O Leão do interior paulista já está há dois anos sem utilizar qualquer jogador da suas categorias de formação no elenco profissional, que disputa as principais divisões do cenário nacional e estadual atualmente.
A última vez em que um jovem da base mirassolense entrou em campo com a equipe principal foi no Paulistão de 2024, quando o Mirassol ainda sequer disputava a Série A, em um duelo contra o Palmeiras. O atleta utilizado na ocasião foi Wesley Santos, que entrou nos minutos finais da partida.


No ano de 2025, a primeira do Leão na elite do Brasil, nenhum jogador da base recebeu a oportunidade em campo, e em 2026 o cenário se repete. Porém, esses dados podem ser explicados.
Alto investimento no profissional, pouco dinheiro para base
Se analisarmos simultâneamente as últimas temporadas do Mirassol profissional e do time da base, pode-se notar que a ascensão da Série C até a Série A da equipe principal é parelha com a queda de rendimento do elenco dos jovens.
Em 2022, quando conseguiu o acesso para a segunda divisão do Brasileirão, os garotos da base também fizeram sua melhor campanha na Copa São Paulo de Futebol Júnior, chegando às quartas de final da competição. Em 2023, eliminação nas oitavas, na temporada seguinte, eliminação ainda na segunda fase do torneio, para o Grêmio.
Nas últimas duas edições da copa de juniores, o Leãozinho foi derrotado na terceira fase do campeonato, para Criciúma e América-RN, respectivamente. Enquanto isso, o elenco profissional vivenciava suas primeiras duas temporadas da história na Série A, além da também inédita participação na Libertadores.
Agora, no último final de semana, o sub-20 do Mirassol foi rebaixado para segunda divisão do Paulistão da categoria. Em 13 jogos realizados, conseguiu apenas uma vitória, quatro empates e oito derrotas.
No entanto, o contraste entre os profissionais a base também tem explicação financeira. Com a evolução maratonada do time do Mirassol da Série C para a Série A em três anos, a necessidade de investimento para manter o nível do elenco profissional se elevou, o que pode ter tirado a atenção da diretoria para buscar manter uma base forte.
Com receitas inferiores aos de seus rivas na Série A, o Mirassol concentra seus investimentos de alto valor na equipe profissional, o que acaba por enfraquecer a base. Recentemente também houve um aporte de R$ 6 milhões na construção de camarotes no estádio Maião.
Além disso, o Mirassol passou a ter a despesa com um time de futebol feminino neste temporada, o que é obrigatório para clubes participantes da Libertadores.
A diretoria do Leão também é bem rigorosa com as contas do clube. Mesmo sendo limitado financeiramente, é um dos poucos times do país que não possui dívidas.
O impulsionamento dos últimos anos, no entanto, vem de uma venda de um jogador da base, Luiz araújo, que foi negociado com o Lille, da França, após passagem pelo São Paulo. O negócio rendeu quase R$ 6 milhões, que foram usados para construção de um CT moderno, em 2018, que foi a base para toda a evolução do clube nos anos seguintes.