Mirassol passa longe das bets no uniforme, mas vê impacto indireto com fim das apostas

Clube nunca teve casa de apostas como patrocinadora máster, mas depende fortemente de receitas de competições ligadas ao setor

Por: Neila Gonçalves
5 horas atrás em 26 de setembro de 2026
Foto: Pedro Zacchi/Agência Mirassol

O anúncio do fim das atividades das casas de apostas no Brasil tem impacto diferente no Mirassol em comparação com boa parte dos clubes do futebol nacional. O Leão não possui nenhuma bet entre seus patrocinadores atuais e nunca teve uma empresa do setor ocupando o espaço máster da camisa.



Considerando as temporadas de 2025 e 2026 da Série A do Campeonato Brasileiro, apenas Mirassol e Bragantino não tiveram casas de apostas como patrocinadoras principais do uniforme nos dois anos.

Apesar disso, internamente o clube não concorda com a decisão do governo, principalmente porque boa parte de sua receita vem das cotas de competições. Cerca de 70% da renda do Mirassol está ligada a esse tipo de receita, que também é influenciada pelo dinheiro das casas de apostas, como no caso do Brasileirão, que tem naming rights da Betano.

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Em 2026, além de Mirassol e Bragantino, Bahia, Athletico Paranaense, Internacional e Coritiba também não possuem bets como patrocinadoras.

A relação do Mirassol com seus parceiros comerciais segue outra lógica. O clube mantém a Poty como patrocinadora máster há 19 anos. A parceria começou em 2007, justamente na temporada em que o Leão conquistou seu primeiro acesso à elite do Campeonato Paulista.

A empresa de bebidas é sediada em Potirendaba, cidade localizada a cerca de 41 quilômetros de Mirassol, reforçando o vínculo regional adotado pelo clube em sua estratégia comercial.

Entre 2023 e 2025, o Mirassol chegou a ter uma casa de apostas estampada na camisa. A 7K ocupava uma área inferior do uniforme, abaixo do patrocinador máster, e foi a única marca sem vínculo regional presente na camisa durante o período.

A política do clube passa justamente pela manutenção de parceiros antigos. Mesmo em um momento de crescimento esportivo, com campanhas de destaque no Brasileirão e participação na Libertadores, a diretoria prefere preservar relações consideradas importantes para a trajetória da equipe.

A avaliação interna é de que esses patrocinadores ajudaram o Mirassol em etapas anteriores do projeto e, por isso, merecem continuidade mesmo em um cenário de maior exposição nacional.

Em 2025, ano em que terminou o Campeonato Brasileiro na quarta colocação, o Mirassol recebeu aproximadamente R$ 9 milhões anuais em patrocínios, o equivalente a R$ 750 mil por mês.

O valor era muito inferior ao recebido por clubes de maior receita, como o Flamengo, mas o modelo de gestão do Mirassol tem outra característica importante: o clube não possui dívidas relevantes.

Sob comando de Juninho Antunes, a administração se apoia principalmente em receitas de competições e negociações de jogadores.