Assine a Robô Tips Assine a Robô Tips

MP libera investigação sobre intervenção no Corinthians

Inquérito civil estava suspenso desde dezembro de 2025 e agora poderá ter as primeiras movimentações

Por: Jhonatan Moraes
1 hora atrás em 20 de maio de 2026
Foto: José Manoel Idalgo/ Agência Corinthians

O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo negou recurso apresentado pelo Corinthians e autorizou a tramitação do inquérito civil que apura a eventual necessidade de intervenção judicial no clube. O procedimento ainda está em estágio inicial, mas agora poderá avançar com as primeiras movimentações de investigação.

Aberto em dezembro de 2025 na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, o inquérito havia sido suspenso dias depois por conta de um recurso do Corinthians contra a investigação. Com o efeito suspensivo, nenhuma providência havia sido tomada pelo MP desde a abertura do procedimento.

O caso precisou ser analisado pelo Conselho Superior do Ministério Público, órgão recursal responsável por supervisionar as atividades dos promotores. Em 24 de fevereiro, o Conselho determinou que o procedimento retornasse para confirmação da validade da distribuição interna da investigação. Após essa etapa, o tema voltou a julgamento nesta terça-feira, quando o recurso do clube foi negado.

Com a decisão, os promotores Luiz Ambra e André Pascoal poderão iniciar efetivamente a apuração. Durante o período em que o inquérito ficou paralisado, o promotor Cássio Conserino, responsável por investigações sobre o Corinthians na esfera criminal, encaminhou documentos e pedidos ao procedimento. Foi ele quem requisitou a abertura da apuração para avaliar a possível necessidade de intervenção judicial no clube.

A medida, porém, ainda não está definida. Caso o Ministério Público entenda que há elementos suficientes para pedir a intervenção judicial, será necessário protocolar uma ação civil pública. A decisão final caberá à Justiça, que poderá determinar ou não a intervenção.

O inquérito foi aberto com base em 25 apontamentos apresentados por Conserino. Entre eles estão laudos de auditores externos com supostas irregularidades, denúncias criminais envolvendo ex-presidentes, investigações sobre dirigentes, suspeitas de gestão temerária, desorganização financeira, endividamento considerado impagável por profissionais independentes e possíveis irregularidades em contratos, licenciamento de marcas e pagamentos feitos pelo clube.

Também aparecem nos apontamentos suspeitas relacionadas a notas supostamente frias, empresas de fachada, desvio de materiais esportivos, uso de cartão corporativo por ex-dirigentes após o fim dos mandatos, problemas no Regime Centralizado de Execuções e indícios de ligação de contratos e pagamentos com pessoas ou empresas investigadas por possível relação com o crime organizado.

Paralelamente, sócios do Corinthians também ingressaram na Justiça com pedido de intervenção judicial. O Ministério Público, no entanto, se manifestou contra a concessão de uma liminar imediata, defendendo a necessidade de ouvir o clube e de considerar a existência do inquérito civil, que agora está autorizado a tramitar.