Promotor aponta nulidade na aprovação do balanço e gestão temerária; caso será analisado pela Justiça
Foto: Divulgação/CorinthiansO Ministério Público de São Paulo voltou a pedir intervenção judicial no Corinthians. Segundo apuração do GE, o promotor Cássio Conserino alegou nulidade na aprovação das contas de 2025 e gestão temerária por causa dos números apresentados no balanço financeiro do clube.
No documento enviado à Justiça, o promotor cita a presença de Haroldo Dantas na reunião do Conselho Fiscal que recomendou a aprovação das contas com ressalvas. Advogado das empresas do presidente Osmar Stabile, Dantas estava afastado da presidência do órgão por conflito de interesses, mas participou do encontro e assinou a ata.
Conserino também aponta falhas do CORI e do Conselho Deliberativo no processo. Segundo ele, os órgãos internos não identificaram irregularidades na participação de Dantas nem detalharam as ressalvas apontadas nas contas, aprovadas com déficit de R$ 143 milhões e endividamento superior a R$ 2,7 bilhões.
“Iniludivelmente estamos assistindo uma ineficácia sistêmica e institucionalizada dos órgãos de controle do Corinthians que demanda urgente intervenção judicial. Houve uma violação direta da governança exigida pela Lei Geral do Esporte. Enfim, um cenário administrativo caótico e que piora em progressão geométrica.”
Na peça, o promotor também afirma que a aprovação das contas não apresentou soluções para o déficit do último ano nem para a dívida total do clube.
“A bem da verdade o arremedo de controle feito na aprovação com ‘ressalvas’ das contas, em nenhum momento, enfrentou a tormentosa questão envolvendo a impossibilidade de continuidade operacional do clube, não examinou como será liquidada a dívida monstruosa que beira os R$ 3 bilhões.”
A petição será anexada a outros documentos já enviados ao sistema judiciário. Em dezembro do ano passado, o MP já havia instaurado inquérito civil para avaliar a possibilidade de intervenção no Corinthians, na ocasião por causa do uso dos cartões corporativos do clube.
Agora, a Justiça analisará o novo pedido. O Ministério Público também pede que conselheiros presentes na votação das contas sejam responsabilizados.