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Osmar Stabile pode ser barrado em eleição do Corinthians

Interpretação do estatuto divide clube e abre disputa jurídica sobre possível candidatura do atual presidente

Por: Neila Gonçalves
2 horas atrás em 31 de março de 2026
Foto: Rodrigo Coca/Corinthians

A disputa política no Corinthians já movimenta os bastidores do clube meses antes do período eleitoral. O centro do debate é a possível candidatura do presidente Osmar Stabile, que pode ser contestada com base no estatuto.

Grupos de situação e oposição divergem sobre a interpretação das regras internas, especialmente no que diz respeito à possibilidade de reeleição. Sem consenso, o caso tende a ser decidido fora do clube.

O estatuto corintiano não permite reeleição consecutiva para o cargo de presidente, regra adotada em 2008. No entanto, há uma exceção em casos de vacância, quando um dirigente assume o cargo durante o mandato. Nessa situação, a candidatura é permitida apenas se o período exercido for inferior a 18 meses. A divergência gira em torno da data que marca o início da gestão de Stabile.

Para a oposição, o dirigente passou a exercer a presidência em maio de 2025, após o afastamento de Augusto Melo pelo Conselho Deliberativo. Nessa leitura, o limite de 18 meses seria ultrapassado antes do fim do mandato, impedindo a candidatura.

Já aliados do atual presidente consideram agosto de 2025 como marco inicial, quando Stabile venceu a eleição indireta no Conselho. Nesse cenário, ele estaria dentro do prazo e poderia concorrer.

A definição caberá inicialmente à Comissão Eleitoral do clube, responsável por validar ou não as candidaturas. Ainda assim, há expectativa de que a decisão seja contestada judicialmente, independentemente do resultado interno. Até o momento, Osmar Stabile não oficializou candidatura e tem evitado tratar do tema como prioridade.

– Não estou preocupado com isso. Se eu abrir uma campanha eleitoral, atrapalho o Corinthians. Não é este meu objetivo, meu objetivo é cuidar do Corinthians. Haverá tempo suficiente para falarmos das candidaturas. Quem interpreterá isso será a Comissão Eleitoral, que é quem vai dizer quem pode ou não ser candidato. É momento de pensar no Corinthians, resolver os problemas do Corinthians. Temos muitas dívidas a pagar.

Paralelamente, o clube discute alterações no estatuto. Uma assembleia prevista para abril pode votar mudanças estruturais, incluindo um dispositivo que abriria caminho para a candidatura de Stabile, caso aprovado pelos sócios.

O cenário político no Corinthians, portanto, deve seguir em ebulição nas próximas semanas, com desdobramentos que podem ultrapassar os limites do Parque São Jorge.