Decisão teve vitória santista na Vila Belmiro, reação do Verdão no Allianz Parque e título palmeirense nos pênaltis com Fernando Prass como protagonista
Foto: Rafael Ribeiro/CBF Palmeiras e Santos voltam a se encontrar em um mata-mata nacional, e o confronto inevitavelmente traz à memória uma das decisões mais marcantes da história recente dos dois clubes. Em 2015, os rivais paulistas protagonizaram a final da Copa do Brasil, decidida em dois jogos e encerrada com o título alviverde nos pênaltis. Foi a primeira vez que dois clubes de São Paulo decidiram a competição.
Os dois chegaram à final depois de campanhas de peso. O Santos passou por Londrina, Maringá e Sport antes de eliminar dois rivais paulistas no mata-mata: venceu o Corinthians nas duas partidas das oitavas e também superou o São Paulo duas vezes por 3 a 1 nas semifinais. O Palmeiras, por sua vez, deixou pelo caminho Vitória da Conquista, Sampaio Corrêa, ASA, Cruzeiro e Internacional antes de superar o Fluminense nos pênaltis na semifinal.
A decisão também carregava um histórico especial. O Santos buscava o segundo título da Copa do Brasil depois da conquista de 2010, enquanto o Palmeiras disputava sua quarta final e tentava levantar o troféu pela terceira vez, após os títulos de 1998 e 2012. Antes daquela final, os clubes haviam decidido apenas dois títulos entre si: o Campeonato Paulista de 1959, vencido pelo Verdão, e o Estadual de 2015, conquistado pelo Peixe.
O primeiro capítulo aconteceu em 25 de novembro, na Vila Belmiro. O Santos começou melhor e teve a oportunidade de abrir o placar logo aos quatro minutos, quando Gabriel cobrou um pênalti na trave. O Peixe seguiu criando as principais oportunidades, enquanto o Palmeiras buscava espaços principalmente nos contra-ataques.
A vantagem santista saiu apenas aos 33 minutos do segundo tempo. Gabriel recebeu de Ricardo Oliveira, passou por Amaral dentro da área e finalizou para marcar o único gol da partida. O Palmeiras ainda perdeu Lucas, expulso na reta final, e escapou de sofrer o segundo nos acréscimos, quando Nilson desperdiçou uma grande oportunidade com o gol aberto. O 1 a 0 deixou o Santos em vantagem para a volta.
Uma semana depois, em 2 de dezembro, o Allianz Parque recebeu o duelo que definiria o campeão. Precisando reverter a desvantagem, o Palmeiras começou pressionando e teve uma oportunidade com Gabriel Jesus logo nos primeiros segundos. O Santos respondeu com Victor Ferraz, que acertou a trave, mas o primeiro tempo terminou sem gols.
A história mudou depois do intervalo. Aos 11 minutos, Dudu recebeu passe de Robinho e abriu o placar para o Palmeiras. O atacante voltou a aparecer aos 39 e marcou o segundo, colocando o Verdão momentaneamente em vantagem no confronto. Dois minutos depois, porém, Ricardo Oliveira descontou para o Santos após cobrança de escanteio. Com o triunfo palmeirense por 2 a 1 e o agregado empatado em 2 a 2, o título precisou ser decidido nos pênaltis.
Na disputa, Marquinhos Gabriel abriu as cobranças pelo Santos, mas escorregou e mandou para fora. Zé Roberto converteu para o Palmeiras. Na sequência, Fernando Prass defendeu a cobrança de Gustavo Henrique, enquanto Vanderlei parou Rafael Marques. Depois disso, todos os cobradores seguintes acertaram.
A responsabilidade da última cobrança caiu justamente nos pés de Fernando Prass. O goleiro converteu o pênalti decisivo, fechou a série em 4 a 3 e garantiu ao Palmeiras o terceiro título de sua história na Copa do Brasil. A conquista também colocou o clube diretamente na Libertadores de 2016.
Aquela foi a primeira final da história da Copa do Brasil decidida nos pênaltis. O título também se tornou especial por ser o primeiro conquistado pelo Palmeiras no Allianz Parque, diante de 39.660 torcedores na partida de volta. Já o Santos terminou como vice-campeão mesmo tendo construído a melhor campanha da competição, enquanto Gabriel encerrou o torneio como artilheiro, com oito gols.
A decisão de 2015 ainda ganhou capítulos de rivalidade depois do apito final. Jogadores palmeirenses responderam a provocações anteriores de Ricardo Oliveira, aumentando o peso daquele confronto na história recente entre os dois clubes. Nos anos seguintes, Palmeiras e Santos voltariam a decidir outros títulos, incluindo a Libertadores de 2020 e o Campeonato Paulista de 2024.
Mais de uma década depois, a final permanece como uma das partidas mais lembradas entre Palmeiras e Santos: de um lado, o Peixe que chegou ao Allianz Parque em vantagem; do outro, um Verdão que conseguiu reagir diante de sua torcida e transformou Fernando Prass em um dos grandes personagens daquela conquista.
