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Polícia aponta esquema ilegal de camarotes no Morumbis desde 2023

Investigação sobre camarotes do estádio do São Paulo indica esquema recorrente em shows e apura possível prejuízo ao clube.

Por: Neila Gonçalves
11 horas atrás em 26 de fevereiro de 2026
Foto: Divulgação/ge

A força-tarefa responsável por apurar a utilização irregular de camarotes no Morumbis já reuniu indícios de que o esquema não se limitou ao show da cantora Shakira. De acordo com informações apuradas, a comercialização clandestina de espaços no estádio ocorre, ao menos, desde 2023, abrangendo diferentes eventos realizados no local.

Um dos principais pontos da investigação era justamente determinar quando as irregularidades teriam começado. Com base nas provas coletadas até o momento, os investigadores afirmam haver elementos suficientes para sustentar que a prática foi recorrente e teria causado prejuízos ao clube.

Segundo relatos obtidos pela reportagem, o objetivo é comprovar a “conduta de exploração ilegal dos espaços de forma reiterada e lesiva ao clube, que sempre foi colocado à margem de qualquer reconhecimento formal”. Entre os possíveis crimes investigados estão corrupção privada no âmbito esportivo e associação criminosa relacionada à utilização prolongada dos camarotes.

O caso segue em andamento e atualmente está na fase de oitivas. Na última terça-feira, Rita de Cássia Adriana Prado compareceu à delegacia, mas optou por permanecer em silêncio sob alegação de problemas de saúde — ela chegou a desmaiar ao deixar o local. Já Mara Casares e Douglas Schwartzmann devem prestar depoimento nos próximos dias.

Mesmo que os investigados escolham não se manifestar, a apuração não depende exclusivamente dessas declarações. A polícia continua analisando documentos, registros financeiros e dados de inteligência. Também já foram realizadas buscas e apreensões nas residências dos envolvidos.

A investigação é conduzida pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), por meio da terceira delegacia especializada em lavagem de dinheiro, em parceria com o Ministério Público. O delegado responsável pelo caso é Tiago Fernando Correia.

Ao todo, existem três inquéritos tratando o São Paulo como possível vítima. Além das suspeitas relacionadas aos camarotes, também são analisadas possíveis irregularidades envolvendo o clube social, incluindo apurações sobre lavagem de dinheiro e corrupção que ainda não resultaram em intimações.

O caso ganhou repercussão após a divulgação de um áudio que indicaria a participação de Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base, e de Mara Casares, então diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente Julio Casares, em um suposto esquema que teria provocado prejuízo financeiro ao clube.

De acordo com o material obtido, o direito de uso de um camarote localizado no setor leste do estádio — identificado internamente como “sala presidencial” — teria sido repassado a Rita de Cássia Adriana Prado, apontada como intermediária na operação.

Ela seria responsável por comercializar ingressos para o espaço, com valores que chegaram a R$ 2,1 mil durante o show de Shakira, realizado em fevereiro de 2025. Apenas com o camarote identificado como 3A, o faturamento estimado teria alcançado cerca de R$ 132 mil.