Polícia investiga escândalo milionário no Juventus

De acordo os depoimentos prestados, o esquema drenava recursos de negócios recentes

Por: Murilo Godoy
2 horas atrás em 17 de agosto de 2026
Foto: Divulgação/Juventus

O tradicional e centenário Clube Atlético Juventus virou caso de polícia com uma história no mínimo curiosa. A investigação apura alegações de desvios de verbas milionárias, perseguição política, intimidações armadas e uma traição conjugal.

Tudo isso, acabou por desmantelar um suposto esquema de repasses ilícitos na gestão do Moleque Travesso. O estopim para a apuração policial ocorreu após a ruptura turbulenta de uma união de dez anos entre os advogados Guilherme Rodrigues e Luma Zaffarani.

Ao descobrir um relacionamento extraconjugal de sua companheira com Carlos Eduardo Gomes Pedroso, presidente do Conselho Deliberativo do Juventus, Guilherme entregou à polícia planilhas, comprovantes bancários e relatos detalhados das transações financeiras ilegais operadas pelo grupo.

De acordo os depoimentos prestados, o esquema drenava recursos de negócios recentes do Juventus, como os R$ 20 milhões recebidos pela negociação de sua SAF. Do montante de R$ 2 milhões destinados ao pagamento de serviços advocatícios, valores em espécie e transferências foram repatriados aos dirigentes.

Segundo as planilhas entregues à apuração, uma fatia de R$ 341,2 mil em dinheiro vivo teria sido repassada a Carlos Eduardo, enquanto o presidente do clube, Tadeu Deradeli, teria recebido um depósito de R$ 224 mil. Dinâmicas semelhantes de divisão de valores teriam ocorrido na parceria de 20 anos firmada com a escola Maple Bear para o uso da sede social.

A Corregedoria da Polícia Civil acompanha o caso diretamente pelo fato de Carlos Eduardo ser escrivão de polícia. Conselheiros e associados relatam uma postura truculenta por parte do dirigente, que costumava exibir armas em reuniões internas e promover o afastamento arbitrário de opositores políticos no Conselho Deliberativo.

Outra frente de apuração envolve a concessão do estacionamento do clube à empresa Retaguarda, pertencente à esposa do superior hierárquico de Carlos Eduardo na Polícia Civil. O conselheiro Eduardo Pinto Ferreira denunciou ter recebido uma transferência via Pix de R$ 17 mil da empresa sem justificativa clara, logo após contestar a queda no faturamento do espaço após a terceirização.

Em sua defesa, a advogada Luma Zaffarani negou qualquer irregularidade ou repasse de verbas aos dirigentes, atribuindo as acusações ao término conturbado do relacionamento com Guilherme.

O presidente do Juventus, Tadeu Deradeli, confirmou a transferência de R$ 224 mil em sua conta, mas alegou que o valor se tratava do ressarcimento de uma aplicação financeira pessoal. A defesa da empresa Retaguarda afirmou que o contrato do estacionamento seguiu os padrões de mercado.

Por meio de nota oficial, o Clube Atlético Juventus enfatizou que não comenta processos em segredo de justiça. Confira o pronunciamento completo:

“O Clube Atlético Juventus informa que não comenta o mérito de questões que tramitam em sigilo perante as autoridades competentes.

O Juventus ressalta que questões de foro íntimo, estritamente pessoal de indivíduos que pertencem ao seu quadro associativo, trabalham, prestam ou prestaram serviços ao clube não se confundem com sua atuação, gestão e atividades institucionais. Portanto não podem nem devem ser utilizadas para atribuir à instituição qualquer responsabilidade ou posicionamento.

Com mais de um século de história e uma trajetória profundamente ligada ao esporte e à cidade de São Paulo, o Juventus preserva o compromisso de conduzir sua atuação institucional com responsabilidade, transparência e respeito à sua comunidade e tradição”.