Déficit milionário, atrasos salariais e desempenho ruim ampliam pressão no clube
Foto: Marco Ribolli/Ponte PressA Ponte Preta vive um dos momentos mais delicados de sua história recente dentro e fora de campo. Em documento oficial divulgado pelo presidente Luiz Antônio Alves Torrano, o clube detalhou a aprovação do balanço financeiro de 2025, ao mesmo tempo em que expôs os desafios que ajudam a explicar a atual crise alvinegra.
As contas foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo na última segunda-feira, 13, com 112 votos favoráveis entre os 138 conselheiros presentes. O balanço, apresentado pelo diretor financeiro Hamilton Caviolla Filho, apontou um déficit de R$ 33,5 milhões no período de 2025.
Durante a reunião, também foram discutidas ressalvas da auditoria independente, incluindo uma cobrança de R$ 109 milhões movida pelo ex-presidente Sergio Carnielli. Segundo Torrano, o valor pode ser reduzido caso a decisão seja mantida em instâncias superiores.
Para justificar o cenário negativo, a diretoria destacou que a ausência de vendas de jogadores costuma gerar déficits anuais de pelo menos R$ 25 milhões. Além disso, a participação recente na Série C provocou uma queda significativa nas receitas, com perda estimada em R$ 7 milhões em cotas de televisão, somada ao aumento dos salários nos últimos anos.
O presidente também fez um alerta mais amplo sobre o futebol nacional, citando uma reunião na sede da Confederação Brasileira de Futebol em que clubes das Séries A e B relataram dificuldades financeiras e previsão de orçamento suficiente apenas até meados do ano.
Em meio a esse cenário, a Ponte Preta foi notificada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, que solicitou documentos para apurar atrasos salariais recorrentes. O clube terá até o início de maio para apresentar relatórios detalhados de pagamentos a atletas e funcionários.
Segundo apuração do GE, há casos de jogadores que receberam apenas três salários desde junho de 2025, além de funcionários que enfrentam até um ano de vencimentos em atraso. O caso também está sendo investigado pelo Ministério Público do Trabalho.
Somando todas as competições da temporada, a Ponte Preta acumula números preocupantes: apenas uma vitória, dois empates e 11 derrotas. O cenário reforça a necessidade urgente de reestruturação para evitar um agravamento ainda maior da crise.