Nesta quarta-feira, Julio Casares, presidente do São Paulo, deu seu depoimento à CPI das Apostas Esportivas, que investiga supostas manipulações no futebol brasileiro.
O dirigente foi convidado a depor por conta de suspeitas levantadas por John Textor, CEO do Botafogo SAF. Através de relatório feito com inteligência artificial, o dirigente apontou possíveis fraudes em resultados nas últimas edições do Brasileirão.
Um destes resultados levantados como manipulado pelo norte-americano foi a derrota do São Paulo, por 5 a 0, no clássico contra o Palmeiras em 2024.
Casares abordou a utilização da inteligência artificial fazendo questão de destacar suas preocupações quanto a prejulgar qualquer profissional.
“Eu sou sempre a favor da ciência, mas também acho que temos que ter preocupação dentro da inteligência artificial. Quando colocamos nela dados subjetivos e a reputação de um profissional. Esse relatório pode ajudar um gestor no sentido de dar um norte, pode ser útil, mas tenho a preocupação de subjugar, prejulgar, através de um número subjetivo de avaliação de tantos passes errados, a postura de um atleta, colocar esse atleta em suspeita. Nós temos que tomar muito cuidado. Gostaria que esse relatório fosse aprofundado para que a gente não pudesse permitir injustiças”, declarou o presidente.
“Nós vínhamos de uma conquista histórica, eu estava no estádio, o São Paulo nunca tinha ganhado uma Copa do Brasil. No futebol, depois de uma grande conquista, há um relaxamento, com 15 minutos tomamos um gol, um jogador a menos, etc. Vi depois um brigando com o outro no vestiário. A rivalidade é muito grande. Quando veio a declaração do Textor, nós pedimos apenas que ele provasse. Eu não conheço nem o relatório. Se tiver prova e se tiver algum culpado, vamos punir. Mas eu presumo a inocência dos meus atletas, eu acredito neles. Mas ninguém pode ficar imune ao cular outro de um problema que não pode ser provado”, completou.
Jorge Kajuru (PSB-GO), presidente da CPI, questionou Casares sobre as declarações de Textor e mostrou os cinco gols do Palmeiras contra o São Paulo.
“Primeiro, algumas colocações. A grama é sintética, a bola corre mais. Vejo com total normalidade. O que não é normal é perder de cinco, ficamos com raiva. Foi um dia feliz para o Palmeiras, e o São Paulo vinha de uma conquista. Foi uma infelicidade do nosso time. Seria bom passar os lances de Botafogo e Palmeiras…”, avaliou.
O presidente então questionou se utilizaram a inteligência artificial para apurar possível manipulação na derrota, de virada, do Botafogo contra o Palmeiras, por 4 a 3.
“Eu não sei se esse mesmo estudo dessa plataforma foi feito quando ele (Textor) tomou uma virada histórica do Palmeiras. É muito irresponsável sem ter o prejuízo de apurar, fazer um juízo de valor. Aquele jogador que teve 80% de passes errados, isso não significa que ele está envolvido. Mas deve se apurar, mas a responsabilidade deve ser medida pelo que ele fala. Eu não faria um juízo de valor colocando um delito grave em cima de um profissional”, apontou Casares.