Queda de rendimento e desgaste com elenco pesaram na saída de Elio do Guarani

Diretoria decidiu pela troca às vésperas da rodada final da Série C após sequência ruim, perda de espaço no G-8 e sinais de desgaste interno

Por: Neila Gonçalves
1 hora atrás em 24 de agosto de 2026
Foto: Divulgação/Guarani

A passagem de Elio Sizenando pelo Guarani chegou ao fim em um dos momentos mais delicados da temporada. O treinador foi comunicado sobre a demissão horas depois da derrota por 3 a 1 para o Botafogo-PB, no último sábado (22), no Almeidão, pela penúltima rodada da primeira fase da Série C do Campeonato Brasileiro.

Até o fim da partida em João Pessoa, a expectativa de Elio era permanecer no cargo para o confronto decisivo contra o Brusque. Depois do jogo, inclusive, o treinador já projetava a preparação para a última rodada. A diretoria, porém, optou pela mudança e alterou o planejamento para o compromisso que definirá o futuro do Bugre na competição.

O principal motivo foi a queda de rendimento. O Guarani venceu apenas uma das últimas oito partidas e perdeu boa parte da vantagem que havia construído dentro do G-8. Depois de chegar a liderar a Série C, o time entrou na rodada final com 27 pontos e ainda ameaçado de ficar fora do quadrangular.

A sequência também expôs uma dificuldade recorrente. Contra o Botafogo-PB, o Bugre abriu o placar com João Paulo, mas sofreu três gols no segundo tempo. Foi a quinta partida consecutiva em que a equipe saiu na frente e a quarta nesse período em que não conseguiu sustentar a vantagem.

Além dos resultados, a relação entre Elio e parte do elenco passou a ser acompanhada com maior atenção pelo departamento de futebol. Internamente, havia questionamentos principalmente sobre a utilização de alguns atletas ao longo da sequência negativa.

Parte do grupo mantinha boa relação com o treinador, especialmente jogadores que chegaram ao clube ou ganharam espaço durante o trabalho. Carlos Eduardo, Neto Costa e Matheus Guilherme, por exemplo, já haviam trabalhado com Elio no Capivariano antes do reencontro no Guarani.

Por outro lado, atletas com menos oportunidades demonstravam incômodo com a falta de espaço. O caso mais evidente foi o de Diego Torres, que recebeu férias após não chegar a um acordo para uma rescisão amigável e está há cerca de três meses sem entrar em campo.

Outros jogadores que perderam protagonismo durante o trabalho também geraram questionamentos internos sobre os critérios adotados pela comissão técnica. O desgaste com o elenco não foi tratado como motivo isolado para a demissão, mas passou a pesar na avaliação da diretoria diante da necessidade de recuperar rapidamente o ambiente.

O cenário ficou ainda mais complicado pelas dificuldades financeiras enfrentadas pelo Guarani. O clube convive com atrasos em pagamentos ao elenco e à comissão técnica, e um novo prazo referente aos direitos de imagem venceu no último dia 20. A diretoria trabalha para levantar recursos e reduzir as pendências.

A situação financeira também fazia parte do cotidiano de Elio, que precisava administrar o grupo em meio às cobranças por resultados e aos atrasos nos compromissos assumidos pelo clube.

Com a saída do treinador, a prioridade passou a ser definir rapidamente quem comandará a equipe diante do Brusque. Marcelo Marelli, auxiliar fixo do Guarani desde março, iniciou a preparação de forma interina e conta com a aprovação do elenco.

A diretoria, no entanto, também avalia opções no mercado para tentar contratar um treinador antes da partida. Umberto Louzer aparece como prioridade e já houve contato entre as partes. Alberto Valentim também está entre os nomes considerados, embora seja visto como uma negociação mais cara. Outra possibilidade para uma comissão provisória seria a participação de Jairo Blumer, técnico da equipe sub-20.

O Guarani chega à última rodada na sétima colocação, com 27 pontos, e ainda depende apenas de si para avançar. Uma vitória sobre o Brusque, no sábado (29), às 17h, no Brinco de Ouro, garante a classificação para o quadrangular final.

Agora, a diretoria aposta que a mudança no comando técnico, acompanhada da tentativa de solucionar ao menos parte das pendências financeiras, seja suficiente para provocar uma reação imediata antes do jogo mais importante da temporada.