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Allan admite preocupação física, rebate rótulo e projeta sequência no Corinthians

Volante apresentado no CT Joaquim Grava diz que quer recuperar 100% da forma, nega ser “jogador de vidro”

Por: Neila Gonçalves
2 horas atrás em 25 de fevereiro de 2026
Foto: Melik Chain / Meu Timão

O Corinthians oficializou nesta terça-feira a apresentação do volante Allan, que chegou por empréstimo junto ao Flamengo até o fim da temporada. Já utilizado em quatro partidas com a camisa alvinegra, o meio-campista participou de entrevista coletiva no CT Joaquim Grava e abordou principalmente a questão física, tema que marcou sua passagem pelo clube carioca.

O jogador reconheceu que o ritmo de jogo ainda está em construção e admitiu que havia receio em relação ao retorno aos gramados.

“Não vou mentir, até eu estava preocupado (com a questão física). Todo jogador precisa de ritmo, precisa estar em campo. Por mais que você treine no dia a dia, a parte física do jogo é totalmente diferente. Eu me preparei fisicamente e mentalmente para esse momento. Mas sim, eu estava preocupado, mas deu tudo certo. Acho que falta ainda para chegar nos meus 100%, e chegando eu acredito que vai dar tudo certo”, contou.

Durante a coletiva, Allan também respondeu às críticas relacionadas ao histórico recente de lesões e ao rótulo de atleta frágil, algo que ganhou força após sua passagem pelo Flamengo.

“É legal a pergunta, porque parece que eu sou um jogador de cristal e não é isso, né? O que aconteceu no Flamengo foi uma coisa fora da curva na minha carreira, porque eu fui ter a primeira lesão muscular no Flamengo, e aí eu não consegui corrigir isso, logo seguido eu tive mais duas. Mas antes disso, se você puxar os números pelo Atlético-MG, Fluminense, sou um dos jogadores que mais atuou nesse período. Lesão para ficar fora nunca tive, fui ter no Flamengo, e logo na minha chegada. Isso me impediu um pouco de ter sequência. Mas eu não sou esse jogador, eu me cuido, eu sei das minhas limitações, na hora que o corpo precisa de ajuda. E eu tô fazendo o que eu posso, para que isso (lesões) não aconteça. E eu acredito que eu bem, realizando meu sonho, eu tô leve, tô no clube que eu desejava jogar, isso vai me ajudar, meu corpo vai responder melhor e esse ano eu quero jogar todos os jogos que forem possíveis e estar disponível para poder ajudar o Corinthians”, desabafou.

Em campo, Allan já atuou como primeiro e segundo volante, além de ter sido utilizado mais aberto pelo lado esquerdo. Ele afirmou estar preparado para desempenhar diferentes funções, priorizando as necessidades da equipe.

“Quero jogar independente da função, eu tenho essa flexibilidade, posso atuar em outras funções e estou aqui para isso. Estou aqui para ajudar a equipe. Mas, como você disse, os jogos de primeiro volante são uma das duas coisas que eu me sinto mais confortável, mas isso não me impede de jogar em outras funções”, disse.

Ao comentar as escolhas táticas de Dorival Júnior, citou o confronto contra a Portuguesa como exemplo de estratégia voltada para o fortalecimento do meio-campo.

“Depende muito do jogo. Esse jogo específico (contra a Portuguesa), ele (Dorival) queria povoar bastante o meio-campo, ter um time forte no meio-campo para os duelos. A Portuguesa jogava, forçava bastante passe por dentro, tinha bastante duelos, então ele tentou povoar bastante o meio-campo. E é muito em cima disso, não só o Raniele como outros jogadores do meio-campo que estão a postos para estar jogando junto, é muito em cima mais do adversário do que uma preferência dele, de jogadores de dupla, de volante”, relatou.

O volante também demonstrou ambição ao relembrar o período de maior destaque da carreira, no Atlético-MG, quando conquistou títulos importantes.

“Claro que eu posso repetir essa dupla com outro parceiro aqui dentro do Corinthians. Eu estou trabalhando para isso e espero que isso aconteça. Estou focado, preciso que esse momento volte a acontecer, até pela questão pessoal. É muito importante no futebol. Estou aí para isso e vou fazer de tudo para que isso aconteça”, expressou.

Ao avaliar o elenco e a relação com o treinador, Allan destacou o comprometimento do grupo.

“São todos super gente boa, trabalhadores. É muito o que eu falei em cima da outra pergunta. É muito de jogo, depende muito do adversário. A gente não escolhe com quem vai jogar. A gente tem que estar sempre à disposição do treinador. E o Dorival é um grande treinador. Ele sabe o que é melhor para o coletivo. Ele sabe o que é melhor para cada jogo. E a gente confia 100% nele. Então, quem ele escolher, quem entrar para jogar, pode ter certeza que é os escolhidos que estão mais preparados para o jogo”, mencionou.

Por fim, o jogador comparou a formação de atletas no Brasil com o modelo europeu, destacando diferenças culturais e de preparação.

“O futebol, hoje em dia, evoluiu muito do meu ponto de vista. Quando se fala que a formação final tem que ir para lá (Europa), é porque hoje o futebol evoluiu muito. Então, você precisa muito do físico, do tático, do entendimento de jogo. E muitas vezes, no Brasil, a gente joga por jogar. Você tem que entender o que o jogo precisa, a demanda do jogo. E isso você só aprende estimulando. E eu acredito que seja mais nesse sentido. Porque talento a gente tem de sobra pelo Brasil. (Além disso) Na Europa, os meninos vêm querendo aprender. Perguntam, chegam no treinador, (saber) o que eu pode fazer de melhor. Hoje, no Brasil, a molecada já chega com mais moral que o profissional que já tem uma porrada de jogos. E eles chegam com um pouco mais de soberba. E isso é natural, e eles não querem aprender. Eles já acham que estão preparados. Na Europa, eles estão mais educados na questão do entendimento de jogo. Você sobe e precisa passar por um processo. E o Brasil é muito acelerado. Você tem uma joia da base, como o André, que a gente tem aqui, e você já cobra muito ele para que ele esteja preparado. Mas ele é um menino ainda. Ele vai ter erros, ele precisa aprender. E o Brasil não tem esse tempo, é cultural daqui”, confessou.