Grupo encaminhou documento de 56 páginas com esclarecimentos sobre a proposta de transformação do clube
Foto: Gabriel Oliveira A SAFiel enviou nesta sexta-feira (4) ao Corinthians um documento com respostas aos questionamentos feitos pelo clube sobre o projeto de transformação do futebol alvinegro em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O material, entregue dentro do prazo acordado entre as partes, reúne esclarecimentos sobre os principais pontos da proposta apresentada pelo grupo.
Segundo apuração do Meu Timão, o documento possui 56 páginas e responde a 108 questionamentos formalizados pela diretoria, pelos presidentes do Conselho Deliberativo, Conselho de Orientação e Conselho Fiscal, além de conselheiros e associados. A SAFiel também recebeu perguntas dos coletivos Voz Corinthiana e Família Corinthiana, mas as respostas a esses questionamentos serão encaminhadas na próxima semana.
Corinthians e SAFiel realizaram a primeira reunião oficial no fim de agosto, no Parque São Jorge. O encontro durou pouco mais de quatro horas e teve como objetivo detalhar a proposta não vinculante apresentada pelo grupo em junho. Desde então, o clube formalizou uma série de dúvidas e ressalvas antes de avançar nas negociações.


Um dos principais pontos da discussão envolve a Neo Química Arena. O presidente Osmar Stabile afirmou que assinaria um documento vinculante caso a SAFiel apresentasse recursos para quitar as obrigações relacionadas ao estádio. Na última segunda-feira, o grupo enviou uma carta aceitando a condição e solicitando uma nova reunião com a diretoria.
A proposta apresentada pela SAFiel prevê a captação de R$ 2,5 bilhões, podendo chegar a R$ 3 bilhões. Os recursos seriam destinados à quitação das dívidas do futebol, investimentos no departamento esportivo e na infraestrutura, além da implementação de mecanismos de governança e fortalecimento do clube social. O projeto também prevê participação dos torcedores, com investimentos a partir de R$ 250.
Outro ponto apresentado pelo grupo é a preservação da identidade do Corinthians. A proposta estabelece que elementos como nome, escudo, cores e símbolos não poderiam ser alterados. Em determinadas situações de descumprimento de obrigações, problemas graves de gestão ou descaracterização institucional, o clube poderia acionar uma cláusula para retomar o controle do futebol.
Caso o projeto avance, ainda serão necessárias etapas como aprovação dos órgãos estatutários, realização de due diligence e valuation por uma empresa independente, registros junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e aprovação dos associados em Assembleia Geral. Pelo cronograma apresentado, a instalação da nova estrutura de governança e o início das operações ocorreriam até 360 dias após a eventual aceitação da proposta.