Sequência histórica de derrotas, ausência de planejamento e crise estrutural empurram o Bentão para a Série A3
Foto: Reprodução/EC São Bento O provável rebaixamento do São Bento para a Série A3 deixou de ser apenas uma possibilidade matemática e passou a representar o retrato fiel do momento do clube. A campanha de 2026 não surpreende — ela confirma um processo de enfraquecimento que vem se arrastando há anos.
O desempenho em campo é alarmante: nenhuma vitória na competição, sequência prolongada de derrotas e um time que perdeu competitividade até dentro de casa. O CIC, que já foi um fator de pressão, hoje simboliza a frustração acumulada da torcida. O problema, no entanto, vai além do elenco atual.
A constante troca de treinadores expõe a ausência de planejamento. Seis técnicos passaram pelo clube em pouco tempo, sinal claro de que a instabilidade não nasce no vestiário, mas na estrutura. Falta direção esportiva consistente, falta continuidade e sobra improvisação.
O cenário administrativo também pesa. O CT apresenta estrutura inferior à de muitos concorrentes diretos, a base deixou de ser fonte de esperança e receita, e a dívida segue crescendo sem um plano público de reestruturação. O discurso institucional rareou, enquanto as respostas que a torcida espera simplesmente não chegam.
Nos últimos anos, o clube acumulou quedas em diferentes competições nacionais e estaduais. O que antes parecia um tropeço pontual virou padrão. A possível volta à Série A3 não representa apenas um descenso técnico — é a consequência de uma gestão que não conseguiu transformar dificuldades financeiras em organização e competitividade.
O São Bento ainda carrega tradição, história e uma torcida apaixonada. Mas, no presente, luta para reencontrar rumo. Sem mudanças estruturais profundas, o fundo do poço pode se tornar apenas mais uma etapa da queda.