Seedorf no Corinthians: holandês é apresentado e projeta reação na reta final do Brasileirão

Novo técnico do Timão comentou a luta contra o rebaixamento, elogiou o elenco e destacou a importância do trabalho na reta final do Brasileirão.

Por: Jhonatan Moraes
1 hora atrás em 14 de outubro de 2026
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Clarence Seedorf foi apresentado oficialmente como técnico do Corinthians nesta quarta-feira, no CT Joaquim Grava. Em entrevista coletiva, o holandês classificou a oportunidade como única na carreira e definiu o Timão como “um dos maiores clubes do mundo”. O treinador também comentou a situação delicada da equipe no Campeonato Brasileiro e afirmou acreditar no potencial do elenco para reagir na reta final da competição.

“Foram vários anos que eu estava falando com a OTB para voltar ao Brasil e trabalhar como treinador. Essa situação é uma grande oportunidade para mim, é um dos maiores clubes do mundo. Isso não passa todo dia pelo seu caminho. Eu não fiquei sem estar no futebol, sempre estive próximo. Longe de um clube, não queria pegar as coisas que estavam me oferecendo, não acreditava nos projetos. Tive outros papeis como conselheiro e dirigente e analisando jogos de um nível alto, de Champions League. Eu vivi 30 anos nessa parte com os maiores treinadores do mundo”,
disse o craque, que volta a ser treinador depois de sete anos, em uma sala de imprensa lotada.



O holandês também elogiou o grupo corintiano e demonstrou confiança na possibilidade de recuperação. Para Seedorf, os resultados negativos recentes não diminuem o valor do clube nem o potencial dos jogadores.

“Um grupo com muito talento. Agora, com o fato de ter alguns resultados negativos não significa que o clube não tem valor. Há trabalho e seriedade. Tudo pode voltar rapidamente, se Deus quiser. É uma resposta ampla porque é muito difícil falar sobre quem é ou não competente. Eu sei disso. Experiência é uma certa área, tenho muita. Vou tentar trazer isso para ajudar o grupo, que já mostrou estar com muita vontade e disponibilidade para trabalhar. Estão feridos, vamos poder transformar com o trabalho do dia a dia”, complementou.

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Seedorf comenta situação do Corinthians no Brasileirão

Contratado para substituir Fernando Diniz, Seedorf chega ao Corinthians com a missão de afastar a equipe da zona de rebaixamento. Neste momento, o Timão ocupa a 16ª posição do Campeonato Brasileiro, com 32 pontos, mesma pontuação do Internacional, que abre o Z-4.

O treinador reconheceu a complexidade do desafio, mas destacou a estrutura do clube e sua experiência em situações difíceis ao longo da carreira.

“É uma situação complicada e complexa. Eu estou aqui porque acredito nos ingredientes que tenho. A estrutura é fantástica e um momento negativo pode virar em dois segundos. Gostaria de convidar todo mundo para conviver com a gente aqui, mas não posso explicar quais ações vamos tomar. Sabemos da dificuldade, vivemos essa dificuldade como jogador. Como treinador sempre peguei momentos ruins dos times. Todas situações complicadas”, avaliou o holandês.

Seedorf também falou sobre a necessidade de trabalhar o aspecto emocional dos atletas. O técnico ressaltou que o elenco demonstra incômodo com a situação e cobrou uma resposta dentro de campo.

“Precisam de ajuda para ajustar o lado emocional também. Os jogadores se importam com o que está acontecendo. Eu prefiro que o jogador exploda do que fique igual. Esse clube vai ter que mostrar em campo com ações. Eu não tenho dúvidas sobre os torcedores. Eu vivi isso contra o Corinthians, sei o que significa jogar contra o Corinthians e o ambiente que conseguem criar. Um grupo que não ganha, são atletas que não entram em campo para perder.”

Técnico valoriza comissão e explica como pretende trabalhar

O Corinthians tem oito partidas até o término do Brasileirão: Vitória, em casa; Vasco, fora; Mirassol, em casa; São Paulo, fora; Botafogo, em casa; Atlético-MG, fora; Grêmio, em casa; e Remo, fora.

Questionado sobre seu conhecimento do futebol brasileiro atual, Seedorf valorizou a estrutura de trabalho e a capacidade de análise da comissão técnica. Para o treinador, o foco inicial será preparar a própria equipe e estudar os adversários com o apoio dos profissionais do clube.

“Deixa eu contar um pouco como eu trabalho… Quando eu jogava, muitas vezes eu não sabia contra quem jogava no mesmo dia. A minha mentalidade era saber o que fazer com o meu time. Como jogador era uma coisa, agora como treinador é diferente. Hoje em dia o treinador não precisa ver praticamente nada para saber sobre o adversário, tem muita gente boa para trabalhar aqui. Vamos ter tempo para analisar o adversário, o futebol é um esporte universal. Eu joguei em vários clubes do mundo e no final a bola é redonda e 11 jogadores contra 11. Joguei futebol 40 anos da minha vida, conheço futebol e não preciso de muito tempo para conhecer os jogadores que vamos enfrentar. Vamos respeitar todos.”

O holandês ainda explicou que pretende conhecer melhor os jogadores antes de definir o modelo de jogo para a sequência da temporada.

“Quero conhecer o grupo para decidir qual a melhor maneira de jogar. Obviamente eu fiz só um treinamento e não vou explicar aqui como vou jogar. Mas eu tenho flexibilidade. Olhar cada jogador como eu acho que pode aportar o que a gente precisa”,
disse Seedorf.

Seedorf evita falar sobre crise política do Corinthians

Além da situação esportiva, o contexto político do Corinthians também esteve presente na entrevista coletiva. No último domingo, após a goleada sofrida no Dérbi, o zagueiro Gabriel Paulista se emocionou e fez um desabafo contra a diretoria alvinegra ao citar atrasos salariais.

Seedorf, porém, evitou entrar no assunto e afirmou que prefere concentrar suas atenções no futuro do clube.

“Eu não estava aqui antes. Então, aconteceu. Mas eu quero ver para frente. Para mim, tudo o que aconteceu até agora é importante, mas não tanto. É muito mais importante o que vai ter amanhã e o que vamos construir juntos. Não vamos falar sobre coisas que a gente não controla. Esse clube é maior do que todos nós. Daqui a cem anos ainda terá torcedores. Temos que nos concentrar para deixar um legado, profissionalmente tudo que a gente pode para respeitar esse clube. Eu senti que é um leão ferido, os jogadores querem, mas às vezes não podem”, afirmou o treinador.

Números e trajetória de Seedorf como técnico

O holandês terá cinco dias de trabalho antes de estrear pelo Corinthians. O primeiro compromisso será contra o Vitória, na próxima segunda-feira, às 20h, na Neo Química Arena, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Depois de encerrar a carreira como jogador, Seedorf comandou Milan, da Itália, Shenzhen FC, da China, Deportivo La Coruña, da Espanha, e a seleção de Camarões. Seu último trabalho como treinador foi em julho de 2019, quando deixou o comando da equipe africana.

Ao todo, o ex-jogador soma 63 partidas como técnico, com 20 vitórias e 26 derrotas, além de aproveitamento de 39,15%. Questionado sobre os números, Seedorf afirmou que as estatísticas precisam ser interpretadas dentro de seu contexto.

“A pergunta é sempre sobre ler os números. Quando a gente faz testes físicos, aí saem vários dados. Mas se não sabe ler os dados você faz o planejamento errado. Se pensar quanto ganhou ou perdeu não é justo. Meu primeiro trabalho foi de ser jogador do Botafogo e na sequência fui técnico do Milan.”

Seedorf conhece o futebol brasileiro também pela experiência como jogador. Ele defendeu o Botafogo nas temporadas de 2012 e 2013, já no fim da carreira, depois de passagens de destaque por Ajax, Real Madrid, Inter de Milão e Milan.

O ex-meio-campista conquistou quatro títulos da Liga dos Campeões da Europa por três clubes: Ajax, Real Madrid e Milan. Agora, terá no Corinthians o desafio de transformar sua experiência em resultados e afastar o clube do risco de rebaixamento.