Jogadores e técnicos destacaram desgaste emocional e força mental após suspensão da rodada decisiva da Série C
Foto: Guilherme Moro/Ferroviária SAF Ferroviária e Inter de Limeira enfrentaram uma situação atípica na última rodada do quadrangular da Série C do Campeonato Brasileiro. Iniciada às 17h de sábado (10), a partida na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara, só terminou às 16h de domingo (11), após ser interrompida devido à suspensão do confronto entre Brusque e Paysandu por problemas de segurança no setor visitante do estádio catarinense.
Como os resultados das partidas influenciavam diretamente a classificação, os jogos precisaram ser concluídos simultaneamente. A Ferroviária venceu por 2 a 0 e garantiu o acesso à Série B, enquanto a Inter também conquistou a vaga após o empate por 1 a 1 entre Brusque e Paysandu.
O atacante Miguel Bianconi, da equipe de Limeira, criticou os acontecimentos em Santa Catarina e destacou a importância da conquista.


“Seria muito injusto se a gente não subisse por tudo que aconteceu na competição. Mas sobre essa situação eu preciso dizer que é inadmissível o que aconteceu em Brusque. Vou até tomar cuidado com o que eu falo. Mas foi uma situação inadmissível. O mais importante é que os dois times mais merecedores do acesso conseguiram subir. Não consegui dormir nada (risos)”, afirmou.
Pela Ferroviária, o meia-atacante Juninho também criticou a suspensão, mas ressaltou a concentração do elenco: “Isso foi terrível, foi uma falta de respeito enorme com a gente, mas estávamos preparados para tudo e isso não ia tirar nosso foco do objetivo principal, nos mantivemos firmes e conquistamos.”
O volante Ricardinho elogiou o trabalho da diretoria e da comissão técnica para manter os jogadores focados durante a noite extra de concentração.
“Foi atípico, mas a direção e a comissão trabalharam bem isso. A gente já vinha com esse trabalho mental do que queríamos há muito tempo. A comissão técnica, a diretoria, eles não deixaram a gente distrair, voltamos para o hotel, o pessoal da fisioterapia ficou até de madrugada, rouparia também. Foi um jogo que, para nós, não teve pausa. Mentalmente, o jogo começou ontem e terminou agora, é mérito de todo mundo que estava envolvido nesse trabalho, a gente acabou voltando melhor”, celebrou.
O goleiro Dênis Júnior, da Locomotiva, também valorizou a adaptação do clube à situação: “Foi muito difícil, [o problema] aconteceu lá, não foi aqui com a gente. Para dormir foi diferente, tudo foi improvisado, mas o clube fez o melhor pra gente. (…) Foi complicado, foi metade de um jogo, queríamos resolver logo, mas acalmamos, nos unimos, conversamos no hotel, e conquistamos o acesso e a vaga na final.”
Do lado da Inter, o técnico Matheus Costa definiu a experiência como um “turbilhão de emoções” e destacou o merecimento do grupo: “Foi um turbilhão de emoções desde ontem (sábado). Só a gente sabe o quanto merecíamos. Existe um trabalho grande envolvido, o clube passa por um processo de transição e todos envolvidos no projeto são merecedores de tudo que está acontecendo.”
Já Rogério Corrêa, treinador da Ferroviária, lamentou o adiamento, mas elogiou a força mental dos jogadores: “Foi muito ruim para todos nós, ontem era o dia da festa, o clima era aquele, o estádio cheio, e foi um banho de água fria para todo mundo. Porém, o mental dos jogadores foi fantástico, eles conseguiram manter a concentração o tempo todo. Foi difícil pra dormir, concentrar, porém, mantiveram o foco e o segundo tempo é prova disso, foram muito soberanos sobre o adversário, conseguiram fazer um jogo incrível e tiveram uma vitória por 2 a 0 que foi fantástico para o acesso”.