Funcionária investigada por possível atuação irregular é desligada, enquanto presidente do Conselho fala em medida arbitrária e retaliação interna
Foto: Rubens Chiri/São Paulo FCA crise política nos bastidores do São Paulo ganhou mais um episódio nesta quarta-feira com a demissão da secretária vinculada ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres. A funcionária era alvo de investigação interna após suspeitas sobre uma possível atuação irregular dentro do clube, o que elevou ainda mais a tensão entre os principais grupos de poder do Tricolor.
A decisão foi tomada pela diretoria em meio à apuração de indícios considerados delicados, entre eles o regime de trabalho remoto adotado desde a contratação, em 2021, e a utilização de um endereço de e-mail externo para o envio de documentos administrativos ao departamento de Recursos Humanos. O caso passou a ser tratado internamente como um possível problema de governança.
Registros de frequência da colaboradora também chamaram atenção. Os documentos apresentavam horários absolutamente idênticos em diferentes meses, sem qualquer variação de minutos, situação que gerou desconfiança sobre o efetivo controle da jornada. Além disso, o endereço eletrônico utilizado para envio das folhas de ponto pertence ao escritório de advocacia do próprio Olten Ayres, fato que aumentou a repercussão negativa nos corredores do Morumbis.
Em comunicado direcionado aos conselheiros, Olten saiu em defesa da assistente e classificou a demissão como uma atitude sem justificativa plausível. Segundo ele, a profissional exercia funções de confiança ligadas à organização da agenda institucional da presidência do Conselho e o modelo remoto era de conhecimento do clube desde sua admissão. O dirigente também sustentou que o uso de canal externo de comunicação tinha finalidade de segurança e sigilo em meio ao ambiente político sensível vivido pela instituição.
Apesar da defesa pública, o desligamento é visto nos bastidores como mais um movimento da guerra interna entre Olten Ayres e o presidente Harry Massis. Nas últimas semanas, ambos passaram a trocar acusações em diferentes frentes administrativas e disciplinares, aprofundando a divisão política dentro do São Paulo.
Olten, inclusive, já enfrenta processo na Comissão de Ética por suposta gestão temerária à frente do Conselho Deliberativo, e seu afastamento preventivo deverá ser votado nos próximos dias. Do outro lado, Harry Massis também virou alvo de pedidos de impeachment, o que evidencia um cenário de instabilidade institucional em pleno andamento da temporada.
Com a demissão da funcionária e as novas revelações envolvendo os bastidores administrativos, o São Paulo vê crescer a pressão por transparência e governança enquanto tenta administrar, paralelamente, as disputas de poder que seguem estremecendo o ambiente político do clube.