Atleta jogou no sacrifício
André Lima em ação pela Ponte Preta contra o Avaí — Foto: Igor Henrique / PontePress Neste domingo (23), a Ponte Preta foi derrotada pelo placar de 2 a 0 para o Avaí, no estádio Moisés Lucarelli. Com o resultado, a Macaca chegou a 18 jogos sem vencer, e segue na lanterna da Série B, com dez pontos.
Em entrevista coletiva pós-jogo, o técnico Márcio Zanardi explanou mais situações que refletem a crise dentro e fora de campo. Segundo o treinador, os jogadores estão atuando mesmo sem condição física por falta de opção no elenco.
Diante dos desfalques, Zanardi tinha apenas 19 jogadores à disposição para o duelo com o clube catarinense. Além disso, o técnico contou com o sacrifício do volante André Lima, que atuou lesionado. André tomou uma injeção para entrar em campo.
– Ele sentiu a perna, chegou para mim e falou: “Eu vou jogar de qualquer jeito”. Ele tomou injeção, tratou e não tinha a mínima condição de jogar. Não sei se vocês perceberam, não deu um chute, não abriu a passada, não correu, não conseguiu marcar. Você vê o nível e o caráter desses jogadores, né?
Zanardi também falou sobre o volante Murilo Cavalcante, que voltou a atuar pela Ponte Preta após mais de três meses fora. “Ele tinha condições de jogar 20 minutos ali. Esses jogadores jogaram com muita hombridade antes da hora, sabendo o cenário que está a Ponte Preta. Se fosse qualquer lugar normal, o André, o Murilo, o Léo (Gomes) não jogariam hoje. Eles não têm condições de jogar, mas como o elenco está curto, eles foram para o sacrifício, e aí a gente assume o risco, né?”
Mesmo em situação completamente desesperadora, o técnico afirmou que não pensa em deixar o cargo.
“Eu não posso, como comandante, abandonar o barco. Eu também estou com eles. Mas é nítido que a Ponte precisa não só de dinheiro, mas de várias situações, várias coisas. Enquanto eu olhar para dentro e ver os jogadores querendo, é isso que faz a gente vir trabalhar todos os dias. Você vê também os funcionários olhando para você pedindo para não abandonar, para ajudar. A gente tem que ter humanidade. Não é fácil. É difícil. A gente está precisando de ajuda. A gente tem que respeitar essa camisa.”
Zanardi aproveitou para explicar o por quê não concedeu entrevista coletiva após a derrota por 6 a 0 para o Vila Nova, e resaltou que não pediu demissão no vestiário.
“Não era eu quem tinha que falar. Quem tem que falar é o presidente, é o vice-presidente e é o executivo. Então foi isso que eu falei, não vou falar e pronto. Agora falar que pedir demissão. Eu estou junto com esses jogadores.”
A Ponte Preta agora volta a campo no próximo domingo (30), às 16h, quando visita o vice-lanterna América-MG, na Arena Independência.