Sediando jogos em casa, o time está no Grupo 28, ao lado de Vitória, Capivariano e Rio Branco-ES — uma chave que, segundo o treinador, já virou assunto diário na preparação
Lole Arts/Flamengo No episódio 127 do Exclusiva TSP, conversamos com Wallison Bernardo, treinador do Sub-20 do Flamengo de Guarulhos, que vai comandar o “Corvo” na Copa São Paulo de Futebol Júnior 2026. Sediando jogos em casa, o time está no Grupo 28, ao lado de Vitória, Capivariano e Rio Branco-ES — uma chave que, segundo o treinador, já virou assunto diário na preparação.
Logo de cara, Wallace explicou o tamanho do desafio e o clima interno do clube para a Copinha:
“A expectativa é grande, a gente sabe da chave que a gente pegou. Da dificuldade que ela já vem gerando na nossa mente, no nosso trabalho. A gente conhece um pouquinho dos times que vão ser representados nessa chave aqui em Guarulhos. Mas a expectativa é boa. Boa de um bom trabalho, a preparação vem sendo boa também. Então estamos focados.”

Ao analisar o grupo, o treinador destacou que nem todo adversário é “midiático” no profissional, mas que isso não significa fragilidade na base. Ele citou o peso do Vitória, o crescimento do Capivariano e reforçou que Flamengo de Guarulhos e Rio Branco-ES também chegam com credenciais no trabalho formativo.
“A gente sabe da força e a estrutura. Principalmente a reestruturação que tem que ter para chegar a uma série dessa. Mas o Rio Branco e nós são equipes que também têm muita força no futebol de base. Não tem tanta representatividade no profissional. Mas o futebol de base, os dois aqui de São Paulo, o Vitória e o Rio Branco, são times que vêm performando muito bem na base.”

E quando perguntado sobre qual jogo pode ser “o mais complicado” por estilo ou encaixe, a resposta foi direta: para ele, não existe conforto nessa chave.
“Nessa chave que nós estamos eu não consigo olhar para você e falar, olha, eu vou ter mais entre aspas facilidade com esse ou com esse… o jogo vai ser mais duro. (…) Acredito que nenhum treinador ou todo mundo que conhece, viu a chave vai falar que essa é uma chave extremamente equilibrada onde você não pode perder pontos, você não pode vacilar porque os quatro times são totalmente equilibrados… é óbvio que com vitória despontando como o time grande da chave.”
O Flamengo de Guarulhos vem de uma Copinha com grande repercussão, chegando às oitavas e protagonizando um jogo lembrado por muita gente. Wallace reconhece que isso empolga torcida e cidade, mas faz questão de tratar o cenário com humildade e sem paranoia.
“Tudo que você conquista e você ganha, você sempre fica na expectativa de fazer de novo ou mais. E a minha chegada aqui vem junto disso também. Todas as pessoas que eu encontro, os torcedores, o torcedor guarulhense… ele tem a expectativa de chegar no mínimo em uma oitava de final. A gente sabe que cada Copinha é uma Copinha. Eu, pelo menos, não carrego o peso, ou o medo, ou a pressão de fazer mais. Eu acho que é um privilégio ver que o Flamengo conseguiu chegar em uma oitava de final. Me abre a mente o caminho para entender que nós também podemos, e vamos buscar isso com muita humildade e bastante pé no chão.”
Jogar em casa é um dos pilares do discurso do treinador. Guarulhense, ele conhece o ambiente desde antes de trabalhar no futebol e descreve o Ninho do Corvo como um estádio que “puxa” o time — e aperta o rival.
“Quem já esteve aqui no Ninho do Corvo para assistir um jogo de Copinha? Eu, particularmente, sou guarulhense, então eu assisti jogos do Flamengo quando pequeno. Quando iniciei minha carreira de treinador também, assisti jogos. E aqui é uma paixão que não tem tamanho, entendeu? O torcedor vem, ele abraça, ele grita, ele incentiva.”

Além da arquibancada, ele lembrou que o sintético muda totalmente o cenário:
“Jogar aqui em Guarulhos, para quem vem, sabe da dificuldade que é, porque tem esse empurrão da torcida. É um gramado sintético, diferente dos gramados, geralmente, onde esses times jogam. Porque, geralmente, eles estão na grama natural, nós estamos no sintético.”
Mesmo reconhecendo que os adversários devem chegar mais “vacinados” depois do que viram na edição anterior, Wallace quer repetir a atmosfera.
“Eu acho que os times também já vão vir um pouco mais preparados, devido à proporção que teve na última Copinha. Então, espero que a torcida e a Lota uniam novamente, e que nós possamos fazer de novo um novo Caldeirão e buscar novos resultados.”
Essa Copinha também marca um capítulo especial na carreira do treinador: ele volta ao Flamengo de Guarulhos depois de anos trabalhando no clube em outras categorias. E a forma como fala do retorno mostra que não é só mais um cargo.
“Eu trabalhei aqui na base do Flamengo durante alguns anos, 4 anos. Conquistamos bons resultados, graças a Deus… E hoje eu retorno, na intenção de trabalhar no sub-20, que era um desejo também meu. (…) O importante é estar com o coração aberto. O Flamengo é uma casa que eu amo. Os melhores resultados que eu tive na minha vida, eu tive ao lado do Flamengo. Então eu espero novamente repetir esses bons feitos, com a ajuda do torcido, dos jogadores e com bastante trabalho.”
Wallace contou que encontrou um elenco praticamente pronto, mexeu em algumas peças e colocou como prioridade recuperar confiança e elevar nível competitivo.
“Eu cheguei, o time já estava praticamente montado, eu trouxe algumas peças minhas, que na época eu acreditava que iam trazer um pouco mais de confiança, tanto para mim quanto para o grupo… mas é um grupo bom. (…) A minha vinda… percebi que o nível dava para aumentar… elevar o nível dos atletas, autoestima também, porque quando você perde muita autoestima acaba ficando lá embaixo, não tem jeito.”
Ele define o grupo com clareza e sem vender ilusão:
“É um grupo coeso, não é um grupo desequilibrado não… é um grupo que é trabalhador, que é guerreiro, e que se coloca no seu lugar. Ele sabe que não é o melhor time do mundo, mas também não é o pior.”