Ponte Preta não paga transfer ban, e segue sem reforços

A segunda e última janela de transferências do futebol brasileiro em 2026 termina no dia 11 de setembro

Por: Murilo Godoy
3 horas atrás em 24 de agosto de 2026
Estádio Moisés Lucarelli - Foto: Divulgação/Ponte Preta

Neste domingo (23), a Ponte Preta foi derrotada pelo placar de 2 a 0 para o Avaí, no estádio Moisés Lucarelli. Com o resultado, a Macaca chegou a 18 jogos sem vencer, e segue na lanterna da Série B, com dez pontos.

Em entrevista coletiva pós-jogo, o técnico Márcio Zanardi explanou mais situações que refletem a crise dentro e fora de campo. Segundo o treinador, os jogadores estão atuando mesmo sem condição física por falta de opção no elenco.

Diante dos desfalques, Zanardi tinha apenas 19 jogadores à disposição para o duelo com o clube catarinense. Além disso, o técnico contou com o sacrifício do volante André Lima, que atuou lesionado. André tomou uma injeção para entrar em campo.

Enquanto isso, a Ponte Preta segue sem conseguir solucionar os problemas que impedem a inscrição dos oito reforços contratados para a sequência da competição. São eles: Douglas Marques (GOL), Jota (LE), Diogo Silva (ZAG), Hiago Ribeiro (ZAG), Otávio (VOL), Cesinha (MEI) e David Braw (MEI).

A expectativa da diretoria era derrubar as punições e regularizar os jogadores a partir da abertura da janela de transferências, no dia 20 de julho, mas a promessa não foi cumprida. A segunda e última janela de transferências do futebol brasileiro em 2026 termina no dia 11 de setembro.

Sem dinheiro em caixa para quitar os débitos, a Macaca diminuiu a mobilização para tentar resolver as pendências e passou a atrelar a solução ao avanço do processo de transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Nos últimos dias, ficou nítido que a nota oficial publicada pelos jogadores foi arquitetada pela diretoria. O prazo do dia 25 acontece, pois a atual cúpula promete que caso haja o SIM da SAF nesta segunda-feira (24), um aporte inicial o será pago nos próximos dias, quitando transfer ban, salários atrasados e segurando as contas do resto do mês.

Atualmente, a Ponte Preta tem duas punições de transfer ban na Fifa. A primeira está relacionada ao mecanismo de solidariedade envolvendo o Iguazú Nippon, do Paraguai. A segunda é mais recente e envolve uma dívida com o zagueiro Luis Haquin.







Neste último caso, o clube não conseguiu cumprir a segunda parcela de um acordo no valor de R$ 227.777,75. O novo inadimplemento manteve a punição ativa e impediu a regularização de jogadores contratados pela diretoria.





Além das pendências na Fifa, a Ponte também enfrenta uma punição na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O clube tem parcelas atrasadas no Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT) junto à Justiça do Trabalho e corre o risco de perder o parcelamento mensal com os credores em caso de sucessivos inadimplementos.





Na prática, a situação impede que os oito reforços contratados para a sequência da Série B sejam registrados. O técnico Márcio Zanardi tem precisado recorrer principalmente aos jogadores formados nas categorias de base para completar a lista de relacionados.





Com o elenco profissional cada vez mais limitado, a base passou a ter participação ainda maior no planejamento de Zanardi. O problema é que até mesmo jogadores das categorias inferiores começaram a deixar o clube.





O lateral-esquerdo Paulo Manoel, considerado uma promessa da categoria sub-17 da Ponte Preta, não faz mais parte do elenco alvinegro. O jogador acertou sua transferência para o Internacional.

Outro caso é o do atacante Diogo Lima, de apenas 16 anos. O jovem também deixou a Macaca e vai reforçar a equipe sub-20 do Benfica, de Portugal.

Com jogadores há mais de seis meses sem receber, a Ponte Preta é a lanterna da Série B com apenas dez pontos, e há 18 jogos sem saber o que é vencer na competição.