Presidente do São Paulo reforçou, em áudio vazado, a urgência da votação do acordo que pode render R$ 140 milhões ao clube.
Foto: Divulgação/São Paulo O presidente do São Paulo, Harry Massis, voltou a expor a delicada situação financeira do clube em um áudio vazado nesta terça-feira à noite. Na gravação, o dirigente reforça a necessidade de o Conselho Deliberativo colocar em votação o contrato com a Ticketmaster, empresa escolhida para assumir a gestão da venda de ingressos do Morumbis.
O acordo já foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Administração, mas ainda precisa passar pelo Conselho Deliberativo. Caso receba o aval dos conselheiros, o São Paulo terá direito a uma entrada imediata de R$ 140 milhões, valor que a diretoria pretende utilizar para quitar pendências com jogadores e aliviar problemas de fluxo de caixa.
No áudio, Massis pede apoio para acelerar a votação do contrato e adota um tom de preocupação com a possibilidade de o processo ser adiado.


“Eu preciso que vocês ajudem a fazer o presidente do CD colocar na pauta para ser votado. Porque se segurar e não for votado, não vamos cumprir nada. Não vai ter dinheiro para pagar nada, tá? Entendeu? Tem muita gente bocuda que fala o que não deve falar e cai sobre a minha pessoa”, disse.
Dos R$ 140 milhões previstos, R$ 110 milhões serão antecipados pela Ticketmaster em até 45 dias após a assinatura. O montante funcionará como um empréstimo e deverá ser devolvido pelo São Paulo em cinco anos, com juros baseados no CDI mais 1,99%.
Os outros R$ 30 milhões estão ligados à gestão do camarote 29A do Morumbis. A empresa pagará o valor para administrar o espaço durante cinco anos em partidas e eventos realizados no estádio.
A pressão pela aprovação do contrato ocorre justamente em um momento em que o São Paulo acumula atrasos nos direitos de imagem do elenco. A diretoria já estipulou o fim de setembro como novo prazo para tentar regularizar as pendências, mas esse planejamento também está diretamente ligado à entrada dos recursos previstos no acordo com a Ticketmaster.
O Conselho Deliberativo, porém, decidiu aprofundar a análise antes da votação. O presidente do órgão, Olten Ayres, determinou a criação de uma comissão formada por Daurio Speranzini, Flavio Marques, Daniel Fonseca e Marcel Bonilha. O grupo deverá apresentar um parecer sobre o contrato antes que o tema avance.
A decisão gerou forte reação da diretoria executiva. Em nota oficial, o São Paulo criticou a composição da comissão e afirmou que a criação de mais uma etapa pode atrasar a apreciação do acordo.
O clube também defendeu o processo que escolheu a Ticketmaster e rebateu questionamentos relacionados à NewC, empresa derrotada na concorrência. Segundo o São Paulo, a proposta alternativa que chegou a ser divulgada como uma operação de até R$ 500 milhões não teria sido apresentada formalmente nos mesmos moldes da disputa pela gestão de ingressos.
Ainda de acordo com a nota, o material envolvia uma estrutura financeira vinculada ao Morumbis e previa participação da Lu Arenas. A diretoria afirmou que solicitou mais detalhes sobre o modelo, mas que uma proposta completa não foi formalizada.
Além da antecipação de R$ 140 milhões, o acordo com a Ticketmaster prevê R$ 6 milhões para a reforma do Museu do São Paulo. A empresa também assumiria a gestão do programa de sócio-torcedor, atualmente administrado pela Feng, concentrando em uma mesma operação a comercialização de ingressos e o relacionamento com os associados.
O episódio representa o segundo áudio vazado de Harry Massis em poucos meses envolvendo diretamente a falta de recursos do São Paulo. Em maio, o dirigente já havia admitido dificuldades financeiras ao comentar a situação do então técnico Roger Machado.
Agora, com dívidas em aberto e necessidade de reforçar o caixa, a aprovação do contrato com a Ticketmaster se tornou um dos principais temas políticos e financeiros nos bastidores do clube.