SAF do Guarani pode transferir 90% do futebol a grupo de Roberto Graziano

Proposta de R$ 1,075 bilhão prevê novo estádio, centro de treinamento, pagamento de dívidas e controle majoritário da futura SAF pelo investidor

Por: Neila Gonçalves
7 horas atrás em 25 de setembro de 2026
Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC

O Guarani está próximo de tomar uma das decisões mais importantes de sua história. Os associados vão analisar a proposta que prevê a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol e a transferência de 90% das ações da futura SAF para o grupo liderado pelo empresário Roberto Graziano. O clube ficaria com os 10% restantes.



Na prática, o grupo investidor passaria a ser o controlador da empresa responsável pelo futebol. Isso inclui decisões ligadas à contratação e demissão de executivos, escolha da comissão técnica, montagem e negociação do elenco, definição de orçamento, administração das categorias de base e exploração das receitas comerciais do departamento. Os poderes exatos, porém, ainda dependem da versão final do contrato.

A mudança não significa o fim do Guarani como associação. O clube continuará existindo e permanecerá responsável pelas áreas que não forem transferidas à SAF. Além disso, seguirá como acionista minoritário da nova companhia.

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O valor global anunciado para o projeto chega a R$ 1,075 bilhão. Desse total, R$ 400 milhões estão previstos para a operação da SAF e apoio ao clube social, R$ 300 milhões para a construção de um novo estádio, R$ 25 milhões para um novo centro de treinamento e até R$ 350 milhões para o passivo incluído na recuperação judicial.

Esse montante, porém, não representa necessariamente um depósito imediato na conta do Guarani. Os valores correspondem à soma dos investimentos e compromissos previstos para diferentes áreas e prazos. Os recursos destinados às dívidas também deverão obedecer às condições estabelecidas no processo de recuperação judicial.

Outro ponto importante envolve o Brinco de Ouro. O projeto prevê a exploração imobiliária da área atualmente ocupada pelo estádio, com possibilidade de construção de aproximadamente 1.200 apartamentos. Em paralelo, a proposta contempla um novo estádio, com investimento estimado em R$ 300 milhões.

A expectativa apresentada é de que a nova casa seja concluída em cerca de dois ou três anos após a obtenção das aprovações necessárias. Antes disso, o projeto ainda dependerá de licenças, definição do terreno, financiamento e execução das obras.

Como o Guarani teria apenas 10% da futura SAF, as cláusulas de proteção passam a ter papel central no acordo. Entre os pontos considerados essenciais estão a preservação do nome, escudo e cores, a permanência do clube em Campinas, as condições para exploração do Brinco de Ouro, garantias para o novo estádio, punições por atraso nos aportes e regras sobre responsabilidade pelas dívidas.

A votação, inicialmente prevista para setembro, foi adiada para 2 de outubro. O pedido partiu do próprio Roberto Graziano e foi aprovado por unanimidade pelos associados. O prazo extra servirá para análise de uma nova versão do contrato, com 83 páginas.

Antes da decisão, duas reuniões de esclarecimento estão previstas para os dias 28 e 30 de setembro. A votação será realizada de forma híbrida, com participação presencial e remota, e ficará aberta até as 20h.

A palavra final será dos associados habilitados a votar. Caso a proposta seja aprovada, o processo ainda exigirá a formalização da SAF, transferência de ativos e direitos, organização da governança e cumprimento das condições previstas no contrato.

O grupo de Graziano só assumirá efetivamente o controle do futebol depois da conclusão dessas etapas. A partir daí, ficará responsável pela gestão esportiva e pelo cronograma de investimentos previstos.

A discussão, portanto, vai além do valor anunciado. Os associados decidirão quem terá o controle administrativo e econômico do futebol, quais mecanismos protegerão o patrimônio do clube e até que ponto o Guarani conseguirá interferir nas decisões depois de se tornar acionista minoritário.