Pedido apresentado por conselheiros da oposição buscava afastamento do presidente e abertura de processo disciplinar por possíveis irregularidades na gestão
Foto: Divulgação/São Paulo A Comissão de Ética e Disciplina do São Paulo decidiu arquivar, nesta quinta-feira, a representação apresentada contra o presidente Harry Massis. O documento havia sido protocolado no Conselho Deliberativo no fim de julho por conselheiros da oposição e pedia o afastamento liminar do dirigente, além da abertura de um processo disciplinar que poderia resultar até em sua expulsão do clube social.
Um dos principais argumentos da representação estava relacionado ao transfer ban sofrido pelo São Paulo em julho. O clube foi punido pela Fifa no dia 21 daquele mês por não ter quitado a primeira parcela da compra de Marcos Antonio junto à Lazio, da Itália, avaliada em 1,05 milhão de euros, aproximadamente R$ 6,2 milhões na cotação da época.
O pagamento ao clube italiano, porém, foi realizado posteriormente e a punição foi retirada no dia 5 de agosto. No entendimento do relator Milton José Neves Júnior, essa regularização fez com que o principal objeto da representação perdesse efeito enquanto o caso ainda estava sob análise da Comissão de Ética.
A ação também citava outros episódios como possíveis indícios de gestão temerária e violações ao Estatuto do clube. Entre eles estavam um áudio de Massis que veio a público em maio, os atrasos nos direitos de imagem de jogadores do elenco profissional, a demissão de Hernán Crespo e o pedido de arquivamento de um inquérito do Ministério Público de São Paulo que apura possível gestão temerária.
O relator considerou, entretanto, que a petição também apresentava problemas relacionados ao prazo. Segundo a decisão, os acontecimentos citados ocorreram antes do protocolo da representação e, por isso, haveria intempestividade no pedido, com base no artigo 13, parágrafo 4º, do regimento interno do São Paulo.
Outro ponto considerado foi a ausência de elementos concretos que demonstrassem intenção deliberada de causar prejuízo ao clube. No caso do transfer ban, a Comissão entendeu que o episódio esteve ligado a uma dificuldade financeira temporária e não representava, por si só, prova de má-fé ou gestão temerária.
A decisão pelo arquivamento foi proposta por Milton José Neves Júnior e acompanhada por unanimidade pelos demais integrantes da Comissão de Ética. Com isso, a representação foi considerada extinta e, conforme o entendimento do órgão, não cabe recurso.
A Comissão ainda fez críticas à documentação apresentada pelos conselheiros. Segundo a decisão, parte das acusações teria sido baseada principalmente em reportagens publicadas pela imprensa, sem a apresentação de documentos considerados suficientes para sustentar os pedidos.
O arquivamento não foi bem recebido pelo grupo responsável pela representação. Os conselheiros de oposição discordam da interpretação adotada pela Comissão de Ética e avaliam alternativas para tentar contestar a extinção do procedimento, apesar da indicação de que a decisão não admite recurso