Todas as 54 propostas de alteração foram rejeitadas, incluindo mudanças na governança, transparência e análise sobre eventual transformação do futebol em SAF
Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC O Conselho Deliberativo do São Paulo rejeitou nesta quinta-feira todas as propostas de reforma do Estatuto Social do clube. Ao todo, 54 sugestões de mudanças foram distribuídas em 11 blocos, enquanto um 12º tratava da realização de um estudo de viabilidade para uma possível transformação do futebol tricolor em SAF.
A votação começou na noite de quarta-feira e foi encerrada na tarde desta quinta, em formato híbrido, com participação presencial e online. Dos 255 integrantes do Conselho Deliberativo, 239 participaram do pleito.
Nenhum dos blocos recebeu votos suficientes para aprovação. A decisão representa uma vitória política dos grupos ligados ao presidente Harry Massis, que haviam se manifestado publicamente contra a reforma nos dias anteriores.
A principal justificativa apresentada pela situação era de que mudanças dessa dimensão não deveriam ser submetidas à votação sem um período maior de análise pelos conselheiros. A discussão ganhou ainda mais relevância por acontecer poucos meses antes da eleição presidencial do clube, prevista para dezembro.
Entre as propostas rejeitadas estavam mudanças relacionadas à integridade, ouvidoria e compliance, governança institucional, planejamento e orçamento, contratos, transparência financeira, Conselho Fiscal, responsabilidade de dirigentes e funcionamento do Conselho de Administração.
O bloco referente ao Conselho de Administração teve 131 votos contrários e 106 favoráveis. A proposta previa mudanças significativas na estrutura do órgão, incluindo uma maior presença de membros independentes e uma nova divisão de responsabilidades dentro da administração do clube.
Outro tema que teve votação apertada foi o de transparência financeira e acompanhamento da gestão, rejeitado por 123 votos contra 114.
A maior diferença ocorreu justamente no 12º bloco, que previa um estudo de viabilidade para a adoção de um modelo de sociedade empresária no futebol do São Paulo. Foram 136 votos contrários e 99 favoráveis, o que também encerrou, neste momento, a possibilidade de avançar institucionalmente com essa análise.
O bloco sobre integridade, ouvidoria e compliance recebeu 122 votos contra e 111 a favor, enquanto a proposta de governança institucional e separação de funções foi rejeitada por 127 a 109.
Também foram barradas as mudanças relacionadas ao planejamento e orçamento, por 125 a 112; contratos e continuidade administrativa, por 130 a 107; segurança jurídica e quórum estatutário, por 126 a 110; e Conselho Fiscal, por 126 a 111.
Responsabilidade de dirigentes e conselheiros recebeu 123 votos contrários e 114 favoráveis. Já as alterações referentes a receitas digitais e exploração da marca foram rejeitadas por 122 a 114, enquanto transparência e prestação de contas tiveram placar de 125 a 112 pela rejeição.
Com o resultado, o atual Estatuto Social do São Paulo permanece sem as mudanças propostas pela comissão responsável pela reforma. Qualquer nova tentativa de alteração precisará passar novamente por discussão política e por um novo processo de votação dentro do clube.
A decisão acontece em um momento de forte movimentação nos bastidores do Morumbis, com a disputa política ganhando espaço à medida que se aproxima a eleição que definirá o próximo presidente do São Paulo.