Finanças do São Paulo: contratos milionários aumentam pressão com possível queda de receita

Tricolor Paulista se vê em momento complicado com possibilidade de perder patrocínio

Por: Vinícios Cotrim
51 minutos atrás em 2 de outubro de 2026
Foto: Daniel Deak/SP Turis

As finanças do São Paulo podem enfrentar um cenário ainda mais delicado nos próximos anos caso o clube perca receitas previstas no contrato com a Superbet. A preocupação não está apenas no dinheiro que pode deixar de entrar, mas principalmente nos compromissos que já foram assumidos e continuam valendo independentemente de uma eventual queda de arrecadação.



O São Paulo pode deixar de receber pelo menos R$ 560 milhões caso encerre antecipadamente o vínculo com sua patrocinadora máster. O contrato da Superbet vai até 31 de dezembro de 2030 e prevê revisão dos valores a partir de 2027. Segundo documentos obtidos pelo UOL, a remuneração projetada para 2027 pode chegar a R$ 140 milhões, valor utilizado como referência para estimar o impacto ao longo das quatro temporadas entre 2027 e 2030.

Isso não significa que o São Paulo tenha R$ 560 milhões em caixa e vá perder esse dinheiro de uma vez. Trata-se de receita futura que pode deixar de ser arrecadada. O problema é que, do outro lado, contratos e dívidas já assinados continuam existindo.

Ofertas São Paulo - 1600x699 Pixels Ofertas São Paulo - 1600x699 Pixels

Calleri mostra tamanho dos compromissos assumidos

A renovação de Jonathan Calleri é um bom exemplo da dimensão financeira envolvida nos contratos do elenco. Durante as negociações, o estafe do atacante chegou a pedir US$ 1,8 milhão em luvas, cerca de R$ 9,2 milhões, além de R$ 1,7 milhão mensais de salário e o pagamento de aproximadamente R$ 7 milhões que o São Paulo ainda devia ao jogador, parcelados em 12 vezes. Também estavam previstas bonificações por metas esportivas.

Esses valores, porém, não correspondem ao contrato final assinado.

As duas partes flexibilizaram as exigências. O São Paulo melhorou sua proposta, enquanto Calleri reduziu os valores pretendidos. O ge informou posteriormente que o novo acordo teria aumento salarial e parcelamento da dívida, mas não revelou o vencimento mensal final acertado entre clube e jogador. O exemplo é importante porque mostra a existência de compromissos de longo prazo mesmo em um cenário de pressão financeira.

Luciano também teve contrato valorizado

Luciano é outro jogador importante que renovou recentemente. O atacante assinou novo vínculo com o São Paulo até o fim de 2028, com possibilidade de extensão automática até 2029 caso cumpra metas previstas no contrato. Segundo o UOL, a renovação também trouxe valorização salarial para o camisa 10. O valor mensal do novo acordo, entretanto, não foi divulgado.

Isso significa que o São Paulo assumiu mais um compromisso financeiro que atravessa várias temporadas. Em um cenário de queda de arrecadação, esse tipo de contrato ganha ainda mais peso porque não pode simplesmente ser reduzido de forma unilateral.

Oscar ainda custará R$ 10 milhões mesmo fora do elenco

A situação de Oscar talvez seja o exemplo mais claro de como despesas continuam existindo mesmo depois que um jogador deixa o clube. O meia rescindiu seu contrato em abril de 2026, mas o São Paulo ainda terá que pagar R$ 10 milhões até 2028.





Segundo o UOL, o valor inclui luvas de assinatura não pagas, direitos de imagem atrasados e parte de uma comissão que ainda era devida ao empresário do jogador. O pagamento foi parcelado até 2028. Na prática, Oscar continuará representando uma saída financeira para o clube mesmo sem fazer parte do elenco.

Esse caso ilustra exatamente o problema enfrentado pelo São Paulo: reduzir a folha atual não significa necessariamente eliminar obrigações já criadas no passado.

São Paulo já atrasou salários em 2026

A pressão sobre o caixa deixou de ser apenas uma projeção para o futuro. Em setembro, o São Paulo atrasou os salários em carteira referentes a agosto. Segundo o UOL, foi a primeira vez na atual gestão que o clube deixou de cumprir esse tipo de pagamento dentro do prazo.

Além disso, a reportagem apontou que jogadores contratados durante 2026 acumulavam pendências relacionadas aos direitos de imagem. A situação variava de atleta para atleta: alguns reforços ainda não haviam recebido nenhuma parcela referente a 2026, enquanto outros tinham valores atrasados de períodos diferentes.

Direitos de imagem viraram novo problema

Poucas semanas depois, o problema voltou a aparecer. No fim de setembro, o São Paulo enfrentava dificuldades para pagar mais uma parcela dos direitos de imagem do elenco. Segundo o UOL, havia jogadores com atrasos que chegavam a quatro meses ou mais.

A reportagem destacou que o clube não tinha dinheiro suficiente em caixa naquele momento para cumprir integralmente o compromisso no vencimento previsto. Esse cenário ajuda a explicar por que uma eventual redução nas receitas comerciais preocupa tanto.

Até dívida de R$ 1 milhão precisou ser renegociada

As dificuldades financeiras também apareceram em negociações de menor valor. O São Paulo contratou o volante Djhordney junto ao Novorizontino por R$ 1 milhão. O acordo previa inicialmente cinco parcelas de R$ 200 mil, mas o Tricolor não conseguiu cumprir os pagamentos dentro do combinado e precisou renegociar a dívida.

O novo acordo foi firmado para evitar um possível transfer ban, punição que impediria o clube de registrar novos jogadores. O episódio mostra que não são apenas contratos milionários de estrelas que pressionam o caixa. Até compromissos proporcionalmente menores podem se transformar em problemas quando existe falta de liquidez.

Superbet pode representar até R$ 560 milhões em receitas futuras

Nesse cenário, o contrato com a Superbet assume importância ainda maior. O vínculo foi renovado em 2025 e vai até 2030, com possibilidade de extensão por mais uma temporada.

A documentação prevê pagamentos progressivos e mecanismos de revisão anual a partir de 2027. Os valores mínimos já definidos variam ao longo do período, enquanto a projeção utilizada para 2027 chega a aproximadamente R$ 140 milhões por temporada.

Caso o acordo seja encerrado antecipadamente, o São Paulo pode deixar de receber pelo menos R$ 560 milhões até 2030. O contrato também possui mecanismos específicos para situações envolvendo mudanças legais que impeçam publicidade de empresas de apostas.

Finanças do São Paulo enfrentam efeito em duas frentes

O desafio do São Paulo passa, portanto, por duas frentes. De um lado, existe o risco de redução importante das receitas futuras. Do outro, permanecem despesas já contratadas: salários, direitos de imagem, luvas, parcelas de negociações, comissões e dívidas acumuladas.

O caso de Calleri mostra o tamanho das cifras envolvidas em uma renovação. Luciano possui contrato valorizado até 2028. Oscar continuará recebendo valores até 2028 mesmo aposentado. Djhordney gerou uma dívida que precisou ser renegociada. E o elenco já enfrentou atrasos de salários e direitos de imagem ao longo de 2026.

Clube precisa ajustar despesas às novas receitas

Esse passa a ser um dos principais desafios das finanças do São Paulo. Se as receitas comerciais diminuírem, o clube terá menos margem para assumir novos compromissos elevados sem aumentar ainda mais a pressão sobre o caixa. Contratos já assinados precisam continuar sendo cumpridos.

A consequência pode aparecer principalmente nas próximas janelas de transferências, renovações e negociações salariais. O São Paulo não precisa apenas encontrar novas fontes de receita. Também precisará evitar que as despesas cresçam em ritmo superior ao dinheiro disponível para financiá-las. O problema central está justamente aí: a receita de amanhã pode diminuir, mas as contas assinadas ontem continuam chegando.