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MP denuncia vice-presidente do Corinthians por caso Nike

Promotor acusa Armando Mendonça de apropriação indébita, furto qualificado e coação; Justiça ainda decidirá se aceita a denúncia

Por: Jhonatan Moraes
3 horas atrás em 4 de junho de 2026
Foto: Reprodução/Instagram

O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, apresentou denúncia à Justiça contra Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, pelo caso envolvendo os materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube.

O dirigente foi denunciado por apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita agravada continuada, furto qualificado pelo abuso de confiança e coação no curso do processo.

Segundo o promotor, Armando teria se apropriado de 131 itens de material esportivo da Nike, tentado obter 19 camisas especiais com patch da NFL, subtraído oito unidades dessa edição comemorativa e ameaçado duas testemunhas durante a investigação.

A denúncia é parcialmente baseada em relatório da Polícia Civil, que havia considerado não ter ocorrido crime no caso. O Ministério Público, porém, teve entendimento diferente das conclusões do delegado Cesar Saad.

No documento, Conserino afirma que também utilizou como base a auditoria interna realizada pelo Corinthians. O promotor ainda destacou que aprofundou a apuração em expediente próprio, com a oitiva de testemunhas que não haviam sido ouvidas pela Polícia Civil e a juntada de novos documentos.

Entre os materiais anexados à denúncia está a transcrição de uma gravação de diálogo entre Armando Mendonça e o diretor de Tecnologia do Corinthians, Marcelo Munhoes, responsável pela auditoria interna. Segundo o promotor, o conteúdo indicaria possíveis intimidações e constrangimentos durante o processo de apuração.

Com a denúncia apresentada, caberá agora à Justiça decidir se aceita ou não o pedido do Ministério Público. Caso seja recebida, Armando Mendonça se tornará réu e o processo criminal terá início.

Além da denúncia, o Ministério Público também solicitou medidas cautelares contra o vice-presidente. Entre os pedidos estão a suspensão temporária de Armando do quadro de associados do Corinthians, a proibição de frequentar o clube durante a ação penal, a proibição de contato com dirigentes corintianos, o comparecimento periódico em juízo, a proibição de se ausentar da cidade e o recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga.

O caso teve início após uma auditoria interna conduzida por Marcelo Munhoes, a pedido do presidente Osmar Stabile, identificar uma série de supostas irregularidades na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike.

O relatório colocou Armando Mendonça, responsável pela administração dos materiais no clube, no centro de parte das ações classificadas como inconformidades, como a retirada direta de itens sem registro formal ou autorização prévia.

O documento também apontou que, enquanto parte dos materiais teria sido retirada de forma irregular, equipes das categorias de base e de outras modalidades utilizavam uniformes em condições precárias ou sequer recebiam os itens.

Armando Mendonça nega irregularidades. O vice-presidente afirma que o descontrole na retirada dos materiais esportivos ocorria durante a gestão de Augusto Melo, mas que, na nova administração, correções já haviam sido realizadas. Ele também sustenta que o relatório interno apresenta uma série de falhas.