Medida Provisória veta operação e publicidade das casas de apostas no Brasil e pode afetar contrato do Verdão até 2027
Foto: Divulgação A Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A norma também veta ações de marketing e patrocínios de empresas do setor, com prazo para a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio.
A mudança coloca em xeque o acordo entre Palmeiras e Sportingbet. A empresa paga R$ 100 milhões fixos por temporada ao Verdão, valor que pode chegar a R$ 170 milhões com bônus por premiações. O contrato é válido até o fim de 2027, com possibilidade de renovação por mais uma temporada.
Antes mesmo da publicação da MP, a Sportingbet havia admitido a possibilidade de novos cenários para as parcerias com Palmeiras e Vasco diante da mudança nas regras. Após a decisão, a empresa afirmou que recebeu a medida com surpresa e que pretende buscar alternativas legais e legislativas, enquanto mantém o diálogo com os clubes.


O impacto financeiro potencial para o Palmeiras é expressivo. O valor fixo de R$ 100 milhões corresponde a cerca de 5,9% da receita bruta operacional registrada pelo clube em 2025, de R$ 1,696 bilhão. Se considerados os bônus, os R$ 170 milhões equivalem a aproximadamente 10% daquele faturamento.
A dimensão do contrato também pode ser comparada ao investimento realizado em Vitor Roque. Em 2025, o Palmeiras desembolsou 25,5 milhões de euros, cerca de R$ 155 milhões na cotação da época, para contratar o centroavante, que se tornou a contratação mais cara da história do clube. Desde então, o jogador passou a ter valor de mercado estimado em 53,2 milhões de euros, aproximadamente R$ 314,5 milhões, segundo estudo do CIES Football Observatory.
Por enquanto, o Palmeiras adota cautela e aguarda os próximos passos relacionados à MP e sua tramitação no Congresso antes de definir o futuro da parceria. A medida provisória tem vigência imediata, mas ainda precisa ser analisada pelo Legislativo.
Caso a Sportingbet deixe de patrocinar o clube, o Palmeiras terá de buscar uma alternativa para substituir uma das principais receitas comerciais do uniforme. A possível perda do acordo, portanto, não significa apenas o fim de uma parceria, mas abre um desafio financeiro para o Verdão em meio à necessidade de reorganização do mercado de patrocínios esportivos.