O técnico chega à Ponte Preta para a sua sexta passagem pelo clube
Gilson Kleina, técnico da Ponte Preta - Foto: Pedro Lino O técnico Gilson Kleina foi apresentado na tarde desta sexta-feira (28) como novo treinador da Ponte Preta para a sequência da Série B. O comandante chega à Macaca para a sua sexta passagem pelo clube.
Apresentado pelo coordenador João Brigatti, Kleina explicou os motivos que o levaram a aceitar o convite para substituir Márcio Zanardi, que deixou o cargo na última quarta-feira, em meio à paralisação dos atletas por causa dos salários atrasados.
Sem esconder a dimensão da missão, Kleina classificou o retorno como o maior desafio de sua trajetória profissional, mas afirmou que não pretende se envolver nas questões políticas do clube e terá o futebol como prioridade.
“Esse é o meu maior desafio como treinador, não resta a menor dúvida. Eu não vim aqui fazer política. Vim aqui para cuidar do futebol, tentar fazer com que esses atletas que hoje não estão querendo jogar entendam o que vai representar para eles terminarmos de uma forma digna.”
O novo treinador também evitou criar expectativas de uma solução rápida. Kleina reconheceu que a Ponte Preta enfrenta muitas dificuldades, mas acredita na união interna.
“Não estamos dizendo que temos a receita, que temos a varinha de condão, que vamos resolver da noite para o dia. Mas vamos solucionar. E, com a união de todos os pontepretanos, fazer a Ponte Preta sorrir novamente.”
O maior problema para Kleina está na montagem do elenco. Os jogadores profissionais seguem paralisados desde quarta-feira, após o não cumprimento de mais uma promessa de pagamento dos salários atrasados. Há atletas que relatam estar há cerca de seis meses sem receber.
O treinador pretende conversar individualmente com os atletas antes de tomar qualquer decisão sobre a formação para o duelo diante do América-MG. Kleina comandou nesta sexta-feira uma atividade com jogadores das categorias de base, mas ainda não sabe com quais atletas poderá contar no domingo.
“Nesse momento, eu ainda não tive a conversa com os atletas que estão tentando fazer ou fizeram a paralisação. Treinamos com os meninos da base. Não temos que esconder nada disso. Acho que não precisamos reverter, porque entendemos o que eles estão querendo justificar.”
Kleina ainda ressaltou que os problemas financeiros inevitavelmente afetam os jogadores também no aspecto pessoal.
“Um atleta com problema é um homem com problema. É a mesma pessoa. Não tem como você ir para dentro de campo e achar que depois acabaram os problemas. Você está levando os problemas. Todos nós somos responsáveis por ser provedores de família, responsáveis por manter as despesas, e isso acarreta uma situação”.
Apesar do cenário complicado, o técnico espera montar um time competitivo para o compromisso em Belo Horizonte e vê na combinação entre experiência e juventude uma possível alternativa.
“Se você faz uma mescla com experiência e juventude, ajuda demais. Agora, só juventude, você ganha de um lado e vai perder de outro. Então vamos ter essa conversa. Espero poder contar com eles.”
A identificação de Gilson Kleina com a Ponte Preta pesou muito em seu retorno. O treinador chegou ao clube pela primeira vez em 2010 e participou de momentos marcantes da história recente alvinegra.
“Desde quando recebi o convite, no outro dia, arrumando minha mala, minha família, minha filha… praticamente fui criado em Campinas. Ela tem uniforme da Ponte Preta. Ela falou: ‘Papai, vamos lá mais uma vez. Vamos ajudar. A Macaquinha está na nossa história’. Isso mexe muito comigo.”
Ele é o quarto técnico com mais jogos na história da Ponte, com 232. Entre os principais feitos estão o acesso à Série A em 2011, o vice-campeonato paulista de 2017 e a campanha que evitou o rebaixamento na Série B de 2021.
A última passagem, porém, foi curta. Em 2022, comandou a equipe em apenas oito jogos e deixou o cargo depois da derrota por 3 a 0 para o Guarani, pelo Campeonato Paulista. Agora, retorna quatro anos depois para tentar iniciar uma reconstrução em um cenário completamente diferente.
“Toda vez que chego ao Moisés, lembro da presença da torcida, do estádio lotado. Isso é uma coisa que vamos reviver novamente. Nós vamos reconstruir isso. A nação pontepretana tem que estar junto com a gente, apoiar esse momento, que é delicado.”
Kleina chega à Ponte Preta pós passagens por Boa Vista-RJ e Itabaiana nesta temporada. Somadas as duas passagens, foram duas vitórias em 17 partidas. O treinador, porém, não estabelece prazo para a reconstrução. Ele espera, primeiro, ajudar a Ponte a atravessar o momento mais delicado.
“A minha gratidão e o meu respeito por esse clube são muito grandes. Espero que a gente faça uma reconstrução e que esse trabalho seja bem feito a partir de hoje.”
A Ponte Preta visita o América-MG neste domingo (30), às 16h, na Arena Independência. Antes do duelo, o técnico Gilson Kleina terá mais um treino na manhã de sábado (29), antes da viagem a Belo Horizonte.
A presença de Kleina no banco ainda depende da regularização do treinador no BID da CBF. A Macaca é a lanterna da Série B com apenas dez pontos, e não sabe o que é vencer há 18 partidas.